Momento Espírita
Curitiba, 26 de Outubro de 2014
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ícone Valor imperecível

O homem vale mais do que o mundo inteiro com as suas jazidas, os seus diamantes e todo tipo de pedras preciosas.

No entanto, esquecido de seu próprio valor, o homem consome-se e esgota-se na conquista do que é perecível.

Perde-se na busca frenética de bens cujo valor é discutível, uma vez que só valem diante de convenções estabelecidas pelos caprichos e vaidades do próprio homem.

Acostumou-se a dar elevada importância ao que tem valor muito relativo, ou não tem valor algum.

Acaba esquecendo do valor de si próprio, positivo e incalculável.

Ao dinheiro, à prata e ao ouro, bens considerados como preciosos, o homem sacrifica a si mesmo.

Vende por moedas a sua paz de consciência e seu bem-estar.

Exaure suas melhores energias na corrida incessante e cruel pela posse de tesouros e pela sensação ilusória de poder e glória.

Por isso, equivocadamente, costuma-se julgar perdida a existência que transcorre na humildade de um lar ignorado, ou na reclusão de um hospital, porque se acredita que, em tais circunstâncias, o homem se vê impedido de buscar aquilo que se supõe valioso.

No entanto, é certo que tais vidas podem ser tão fecundas e brilhantes quanto quaisquer outras.

O mundo admira e se deixa levar por meras exterioridades.

Ostentação e brilho seduzem os sentidos e enganam, por curto tempo, mentes despreparadas.

O verdadeiro valor, porém, está no interior do homem.

Está no seu caráter, nos seus sentimentos e na sua inteligência.

Não é a forma que encerra o valor a que nos estamos referindo: é o Espírito; é a alma, o eu imortal, sede das faculdades e poderes cuja origem é divina.

Desenvolver os próprios talentos é realizar o objetivo supremo da vida.

Aquele que mais e melhor desenvolve seus próprios recursos mais aumenta o seu valor intrínseco.

É tão importante e tão sagrada a conquista desse ideal que Deus, em Sua soberana justiça, mantém assegurada e intangível, em todos os homens, a possibilidade de realizá-la.

O paralítico, o cego, o enfermo, não está impedido de visar, com êxito, o alvo grandioso da vida.

Mesmo que encerrem o homem em um calabouço escuro e infecto, ainda assim ele conservará a capacidade de aprimorar seus sentimentos e galgar novos degraus na escala evolutiva.

Mesmo que o algemem, acorrentem-no e cravem-no em uma cruz, mesmo dessa forma ele poderá ser um vencedor.

Embora crucificado, apelando para suas próprias forças, ele logrará elevar-se das misérias da Terra, em direção às grandezas do Céu.

*   *   *

Arrastados pelas convenções humanas, somos levados a crer que o ter é mais importante do que o ser.

Ter belas casas, ter luxuosos carros, ter um corpo de plástica impecável...

Ter poder, ter sucesso, ter reconhecimento...

Eis aí os requisitos que o mundo impõe como necessários à felicidade humana.

No entanto, são quimeras incapazes de resistir à ação do tempo e do próprio egoísmo humano.

São tesouros sujeitos à ação da ferrugem e das traças.

E, no dizer de Jesus, fica a questão: De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder-se a si mesmo?

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Valor imperecível, do livro Nas pegadas do Mestre, de
Vinícius, ed. FEB.
Em 17.3.2014.
 

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