Momento Espírita
Curitiba, 30 de Maio de 2020
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ícone O cristão e a justiça

A indagação sobre a justiça, a arte de dar a cada um aquilo que é seu, é uma constante na História da Humanidade.

As leis humanas foram paulatinamente alteradas, com a finalidade de atingir um ideal de justiça.

As leis criadas pelo homem refletem os valores e o estágio de desenvolvimento intelectual e moral da coletividade.

O contínuo progresso da Humanidade, em todos os quadrantes, revela-se na evolução das normas de convivência.

Na Idade Média, por exemplo, considerava-se normal e justa a completa submissão dos servos ao senhor feudal, que tinha poder de vida e morte sobre eles.

Hoje essa noção choca e não corresponde ao ideal de justiça que a maioria possui.

O mesmo pode ser afirmado de inúmeros outros institutos, outrora admitidos, mas que atualmente causam repugnância, como escravidão, prisão por dívidas, matar em defesa da honra.

O respeito às leis em vigor é imprescindível à preservação da harmonia no meio social, mas é apenas o começo.

Do cristão espera-se um padrão de conduta mais refinado, espelhado nos exemplos de Jesus.

Ao cristão não basta a mera obediência aos códigos legais vigentes.
A referência a leis, por vezes ainda iníquas, não serve de desculpa para uma consciência desperta para os valores superiores da vida.

A quem já se enamorou da paz ofertada por Jesus e se convenceu da necessidade de sublimar os próprios sentimentos, incumbe viver no mundo sem ser do mundo.

Ou seja, revelar, por seu proceder, o ideal de fraternidade e compaixão exemplificado por Jesus.

Na realidade, Cristo indicou o caminho de acesso ao conceito de justiça que as Leis Divinas encerram, a nortear o viver de Seus seguidores.

O Mestre afirmou que toda a Lei se resume em Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Se amamos ao próximo como a nós mesmos desejamos para ele o mesmo que para nós próprios.

Consequentemente, devemos tratá-lo em quaisquer circunstâncias como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos em seu lugar.

Nesse contexto, tratar o semelhante com justiça significa dar-lhe o que almejaríamos receber, se nossa posição fosse a dele.

As leis humanas podem nada dispor ou mesmo estabelecer de modo diverso.

Mas esse raciocínio é o norte para o cristão agir com justiça, em qualquer situação, ou seja, dar ao próximo o que lhe é de direito.

Como todos desejam ser tratados com respeito e dignidade devem naturalmente tratar os outros dessa forma.

A generalização desse proceder já seria o começo do paraíso na Terra.
Se temos um parente doente e dependente de nossa atenção, pensemos como nos sentiríamos no lugar dele.

Reflitamos sobre como estaríamos constrangidos e necessitados de demonstrações de afeto.

Se agirmos com ele como gostaríamos que agisse conosco, nas mesmas circunstâncias, estaremos sendo justos.

Do mesmo modo, se alguém bate em nosso carro no trânsito.
Caso sejamos nós os culpados, apreciaremos que o outro seja gentil e compreensivo.

Então, constitui nosso dever de cristão adotar esse padrão de conduta.
Afinal, no contexto das Leis Divinas, somos todos irmãos e companheiros na jornada evolutiva.

Da exortação de Jesus: Amai-vos, decorre nosso dever de colaboração e compreensão mútuas.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 27.9.2013.

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