Momento Espírita
Curitiba, 08 de Abril de 2020
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ícone Pobre de espírito

Em certa passagem do Evangelho, Jesus afirma:

“Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus”.

Esta afirmativa evangélica costuma ser mal compreendida.

Imagina-se que pobre de espírito é o simplório ou ignorante.

Assim, o melhor modo de garantir o céu seria permanecer na ignorância.

O desenvolvimento intelectual poderia trazer prejuízo para a redenção espiritual.

O candidato à felicidade futura faria bem em continuar tosco e iletrado.

Contudo, essa linha de raciocínio conflita com o conjunto dos ensinamentos do Cristo.

Muitas outras passagens elucidam a importância de colaborar na construção de um mundo melhor.

Quanto mais recursos um homem movimenta, mais apto ele se encontra para influenciar positivamente a sociedade.

O cristão deve ser o sal da Terra e a luz do Mundo.

Isso é impossível em estado de ignorância!

Para iluminar é necessário não estar nas trevas da falta de conhecimento.

A parábola dos talentos também evidencia a importância de utilizar e multiplicar os próprios tesouros na obra do Senhor.

Evidentemente, tais talentos não se cingem a recursos amoedados.

A inteligência, a palavra bem-posta e a educação são meios preciosos para influenciar positivamente a vida dos semelhantes.

Nenhum talento deve ser desperdiçado, pois todos representam bênçãos Divinas em favor da Humanidade.

O homem inteligente tem a missão de esclarecer e conduzir os irmãos de caminhada por veredas de paz e bem-estar.

Não é viável que um cego conduza o outro.

Conseqüentemente, a ignorância não constitui um estado ideal e meritório.

Toda ignorância deve ser esclarecida.

Toda inteligência precisa ser cultivada.

Desse modo, o termo “pobre de espírito” não se refere a alguém tosco ou iletrado.

No contexto dos ensinamentos evangélicos, “pobre de espírito” possui o sentido de pessoa humilde.

A humildade é apontada como condição para acesso às coisas superiores.

Essa conclusão encontra respaldo em outra passagem evangélica.

Nela, o Cristo afirma que certos mistérios são ocultos aos doutos, mas revelados aos simples.

Por vezes o saber mundano gera em seus possuidores uma idéia errônea de superioridade.

Encantados com seus recursos, imaginam que nada se lhes possa estar acima.

Vaidosamente, negam a existência da Divindade, que tudo lhes propicia.

Ocorre que o conhecimento humano é assaz limitado.

O Universo é demasiado amplo e magnífico para ser totalmente explicado pelo pouco que a Humanidade já logrou apreender.

Há preciosas lições a serem aprendidas, mas elas exigem humildade.

É preciso não se deslumbrar com as próprias conquistas intelectuais.

Agradecer por elas à fonte maior, mas lembrar que o Universo é infinito.

Jamais alimentar qualquer ilusão de superioridade.

Tenha sempre em mente que você pode estar errado.

E que os outros sempre podem lhe ensinar algo.

Essa postura lhe permitirá permanecer modesto, à medida que evolui e aprende.

A humildade lhe possibilitará agir com compaixão, pois o fará perceber o próximo como um igual.

Assim, você não apenas terá conhecimentos, mas será um genuíno sábio.

Inteligente e bondoso, será um fator de luz e paz na vida dos semelhantes.

Percebendo-se útil, você se sentirá em harmonia com o Universo, pois estará realizando a sua missão na Terra.

A paz daí advinda será o começo do céu na sua vida.

Pense nisso.

 

 Redação do Momento Espírita.

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