Momento Espírita
Curitiba, 02 de Abril de 2020
busca   
no título  |  no texto   
ícone Piedade
 

A piedade é a virtude que mais nos aproxima dos anjos.

Mas como entendê-la em profundidade e como colocá-la em prática?

Segundo o conhecimento superficial que se tem sobre ela, a piedade, ou a compaixão, significa sofrer com alguém, ou algo.

E como naturalmente fugimos do sofrimento, a piedade pode nos parecer incômoda muitas vezes.

Somemos isso à indiferença ainda reinante nos corações humanos, quanto ao que se passa com o outro, e teremos o homem distante da piedade.

Porém, ao compreender melhor essa virtude, veremos que nos é extremamente benéfica, e não significa que com ela traremos mais dor para nossos dias.

Compartilhar o sofrimento do outro não é aprová-lo, nem compartilhar suas razões, boas ou más, para sofrer.

É recusar-se a considerar um sofrimento, qualquer que seja, como um fato indiferente e um ser vivo, qualquer que seja, como coisa.

A compaixão ou piedade é o contrário da crueldade, que se regozija com o sofrimento do outro, e do egoísmo, que não se preocupa com ele.

É uma atitude mental baseada no desejo de que os outros se livrem do seu sofrimento. Está associada a uma sensação de compromisso, responsabilidade para com o outro.

A verdadeira compaixão tem por base o raciocínio de que todo ser humano tem o desejo inato de ser feliz e de superar o sofrimento, exatamente como nós.

E exatamente como nós, ele tem o direito de realizar essa aspiração fundamental.

No processo de conquista dessa virtude vamos encontrar a prática da empatia, que é o instrumento fundamental para se chegar à piedade.

A empatia é a condição psicológica que permite a uma pessoa sentir o que sentiria caso estivesse na situação e circunstância experimentada por outra pessoa.

Essa técnica envolve a capacidade de suspender, provisoriamente, a insistência no próprio ponto de vista mas, também, encarar a situação a partir da perspectiva do outro.

Ela é benéfica em todas as situações da vida e, em especial, no desenvolvimento da piedade.

Tendo em mãos tal habilidade, poderemos nos deixar envolver pelo sofrimento alheio.

E como tal virtude é filha do amor, e na companhia dele sempre estaremos, esse sofrer junto não será desagradável para o compadecido.

Nesse instante estaremos operando como mensageiros de Deus, consolando aflições e praticando a caridade em uma de suas belíssimas formas.

*   *   *

 

Deixai que o vosso coração se enterneça ante o espetáculo das misérias e dos sofrimentos dos vossos semelhantes.

Vossas lágrimas são um bálsamo que lhes derramais nas feridas e, quando, por bondosa simpatia, chegais a lhes proporcionar a esperança e a resignação, que encanto não experimentais!

A piedade bem sentida é amor.

Amor é devotamento. Devotamento é o olvido de si mesmo e esse olvido, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o Divino Messias e ensinou na Sua doutrina tão santa e tão sublime.

Redação do Momento Espírita com base no cap. A compaixão, do livro Pequeno tratado
das grandes virtudes, de André Comte Spoville, ed. Martins Fontes e no item 17, do
cap. XIII, do livro O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. Feb.
Em 25.11.2009.

© Copyright - Momento Espírita - 2020 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998