Momento Espírita
Curitiba, 12 de Agosto de 2020
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O hábito é o conjunto de reflexos mentais acumulados, operando constante indução à rotina.

A maioria dos Espíritos encarnados na Terra vem de incontáveis séculos nos quais viveu sem muita reflexão e nem resistência moral.

Há a tendência generalizada de consumir os pensamentos alheios, ajustando-se a eles.

Por conta disso, exagera-se nas necessidades e se aparta da simplicidade com que seria fácil viver em paz.

Porque são muitas as pretensas necessidades, ergue-se todo um sistema defensivo em torno delas.

Para assegurar o que entende ser um mínimo necessário, o homem se torna egoísta e cruel.

Arma-se de cautela e desconfiança, para além da justa preservação.

Dando vazão ao instinto da posse, cria reflexos de egoísmo, orgulho, vaidade e medo.

Caminha ao sabor das influências mundanas, suscetível à opinião alheia, aos ditames da moda e da mídia.

Por não refletir detidamente sobre os propósitos superiores da existência, engana-se depois do berço para se desenganar depois do túmulo.

Aprisiona-se no binômio ilusão-desilusão, no qual gasta longos séculos, começando e recomeçando a senda em que lhe cabe avançar.

Não é lícito desprezar a rotina construtiva.

É por ela que o ser se levanta no espaço e no tempo e conquista os recursos que lhe enobrecem a vida.

Contudo, a evolução impõe a instituição de novos costumes, a fim de que o ser se liberte de fórmulas inferiores.

Para impulsionar esse processo redentor rumo ao Alto não há modelo melhor do que o Cristo.

Sem violência de qualquer natureza, Ele alterou os padrões da moda moral em que a Terra vivia há milênios.

Contra o uso da condenação metódica, ofereceu a prática do perdão.

À tradição de raça, opôs o fundamento da fraternidade legítima.

Toda a Sua passagem entre os homens foi marcada pela certeza da ressurreição para a vida eterna.

Na manjedoura, simbolizou a simplicidade e a humildade como legítimas opções de vida.

Na cruz afrontosa, exemplificou a serenidade e a paciência.

Também trouxe a noção das bem-aventuranças eternas para os aflitos que sabem esperar e os justos que sabem sofrer.

Ainda hoje, no mundo, a justiça cheira a vingança e o amor tem laivos de egoísmo.

Tal se dá pelo reflexo condicionado de atitudes adotadas há milênios.

Entretanto, a ciência da vida que jamais se esgota precisa induzir reflexões que rompam com esses automatismos infelizes.

Mais do que ser bonito, refinado, rico ou influente importa dignificar e purificar o próprio íntimo.

Para isso, nada melhor do que se habituar a servir, a perdoar e a compreender as dificuldades alheias.

A automatização de hábitos dignos, pela repetição constante, liberta da dor e da decepção.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XX
do livro Pensamento e vida, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 23.06.2010

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