Momento Espírita
Curitiba, 26 de Setembro de 2020
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ícone Sexo dos anjos
 

Você já deve ter escutado o bordão popular, quando alguém se envolve em uma discussão estéril, sem fim, de que está discutindo a respeito do sexo dos anjos.

É a ideia de que, ao se tratar sobre qual seria o sexo de seres nascidos das tradições teológicas, imateriais e celestiais, tal discussão não teria fim, nem utilidade alguma.

E as discussões que nos envolvemos, vez por outra, serão todas elas úteis e proveitosas?

Lembre-se qual foi a última contenda em que você se envolveu.

Qual foi o último tema de debate em que você se emaranhou... Realmente era necessário, útil, proveitoso?

É natural e enriquecedor que tenhamos, cada um de nós uma opinião, uma visão a respeito de um tema.

E é justamente a troca de ideias, a observância de outros pontos de vista o que nos enriquece, o que provoca aprendizado e o que nos possibilita ver determinado fato sob um ângulo que jamais teríamos imaginado.

Nascem aí os debates que geram a riqueza do pensar, a possibilidade do entendimento, o entrelaçar de raciocínios.

Mas, toda vez que nos envolvemos em um debate, há que se respeitar a posição alheia. Ninguém deveria iniciar qualquer discussão como quem vai à guerra.

Ao iniciar um debate, geralmente, colocamos nossa armadura e empunhamos escudo e espada, de um modo ferrenho, onde a única possibilidade válida é vencer.

Essa posição, calcada na arrogância e no orgulho, faz-nos crer que sempre estamos certos e que não há nada a aprender com o outro. Quando pensamos desta forma, mal damos possibilidade à outra parte de se expressar.

Toda discussão é momento de trocar ideias, de interpor pontos de vista e não de imposição de ideias.

Foi exatamente por isso que Voltaire, célebre pensador francês, afirmava que ele poderia discordar de tudo que alguém dizia, porém defenderia até à morte o direito desse alguém se expressar.

É o respeito à opinião do próximo, do ponto de vista de alguém. Não necessariamente iremos concordar com tudo. Algumas vezes não concordamos em nada.

Porém, isso não nos dá o direito de impor o que pensamos ou mesmo de impedir que alguém se expresse.

Todas as vezes que nos envolvemos em uma discussão sem interesse nenhum em escutar o outro, em entender seu ponto de vista, com certeza, estaremos utilizando o verbo como quem esteja discutindo o sexo dos anjos.

Debateremos, discutiremos e não chegaremos à conclusão nenhuma.

Na ânsia de impor nosso ponto de vista, os ouvidos se farão surdos.

E estaremos perdendo a rica chance do aprendizado que se faz quando nos colocamos sob um outro modo de observar as coisas.

*   *   *

A cada discussão, permita-se ouvir o que o outro tem a dizer. Não se imagine como sendo o dono da verdade absoluta. Sempre temos o que aprender ao escutar nosso interlocutor.

Caso contrário, estaremos a discutir o sexo dos anjos, sem possibilidade do entendimento e do crescimento que todo debate permite.

Redação do Momento Espírita.
Em 02.07.2010.

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