Momento Espírita
Curitiba, 21 de Setembro de 2020
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ícone Pecado e pecador
 

A sociedade humana possui a tendência de separar os elementos que a compõem.

De um lado, há os que apresentam aspectos positivos de comportamento.

Caracterizam-se pelo cumprimento dos próprios deveres e por não representarem perigo para os demais.

De outro, colocam-se os considerados perigosos ou indesejáveis.

Há quem afirme que os direitos humanos deveriam ser assegurados apenas para as denominadas pessoas de bem.

Já em relação aos demais, nutre-se, muitas vezes de forma velada, o desejo de que sejam exterminados.

É com dificuldade que são tolerados, mas sem muitas considerações para com suas necessidades ou dores.

Não se advoga que a sociedade deixe de se acautelar contra o mal, onde e como se apresente.

É preciso mesmo prevenir os vícios e as tragédias que engendram.

Contudo, urge, a título de combater o desequilíbrio, não odiar o desequilibrado.

A respeito, há uma interessante passagem na Terceira Epístola de João Evangelista.

Nela, o Apóstolo exorta a que se siga sempre o bem.

E afirma que quem faz o bem é de Deus, mas quem faz o mal não tem visto a Deus.

Veja-se que ele não separa os homens entre bons e maus.

Não os divide entre justos e pecadores.

Não assevera que alguns são de Deus e outros não.

Apenas afirma que quem faz o mal tem-se mantido distante do Pai Celestial, não O tem visto.

Trata-se de uma visão lúcida e justa da realidade humana.

Quem já luta para cumprir seus deveres milita entre os Espíritos que começam a compreender o Pai.

Já os desequilibrados, os desonestos e os violentos ainda não conseguem pressenti-lO.

Como autênticos e graves enfermos espirituais, causam dores para si e para os outros.

Incapazes de compreender o funcionamento das Leis Divinas, semeiam tragédias em seus caminhos.

Lamentáveis, mas ainda assim humanos, amados filhos de Deus.

Seus atos devem ser contidos, para o bem de todos.

Mas eles próprios precisam ser educados.

A principal lição do Evangelho é a fraternidade.

Jesus foi enfático ao afirmar que os sãos não necessitam de médico.

Assim, é despropositado que quem se afirma cristão deseje o extermínio de seus irmãos mais infelizes.

O homem caído não é alguém a ser aniquilado.

Ele representa a ovelha perdida, o precioso filho pródigo, na belíssima linguagem evangélica.

Importa, pois, rever o sentir em relação aos conceitos de pecado e pecador, de crime e criminoso.

Lute-se contra o crime, mas amparando quem se lhe enredou nas malhas tenebrosas.

Que jamais se deseje a desgraça para quem já é em si muito desgraçado.

Do Evangelho, extrai-se com clareza não haver vitória sem união.

Apenas da vivência da genuína fraternidade é que surge a paz, pessoal e coletiva.

Pense nisso.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 122, do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 22.03.2011.

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