Momento Espírita
Curitiba, 14 de Julho de 2020
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ícone O sentido secreto da vida

Há um sentido profundo na superficialidade das coisas.

Uma ordem inalterável no caos aparente dos mundos.

Vibra um trabalho silencioso e incessante dentro da imobilidade das plantas:

no crescer das raízes, no desabrochar das flores,

no sazonar dos frutos.

Há um aperfeiçoamento invisível dentro do silêncio de nosso eu:

nos sentimentos que florescem, nas ideias que voam,

nas mágoas que sangram.

Uma folha morta não cai inutilmente. A lágrima não rola em vão.

Uma invisível mão misericordiosa suaviza a queda da folha. Enxuga o pranto da face.

*   *  *

A poetisa paranaense Helena Kolody nos leva, de forma magistral, a uma breve viagem pela busca de sentido na existência.

Ela apresenta a postura humilde da criatura perante seu Criador, aceitando Suas razões, Suas leis, mesmo não tendo pleno entendimento delas.

O homem, ainda na adolescência do intelecto e na infância da moral, começa a descobrir que há um sentido profundo e maior em tudo.

Não há o acaso nem o caos na regência Divina do Universo.

A lei do trabalho diz que tudo trabalha no Cosmo. Um operar silencioso e incessante encontrado desde os seres mais simples até os mais complexos.

Tudo trabalha rumo à harmonia, à ordem, ao entendimento.

Tudo se aperfeiçoa com o passar do tempo.

A lei do progresso estabelece o crescimento inevitável. É uma força viva, que pode ser apenas retardado por um tempo, mas nunca evitado indefinidamente.

O aperfeiçoamento dentro de nosso eu é a conquista das virtudes da alma.

A cada instante na vida temos oportunidades de melhorar, de nos tornarmos mais maduros espiritualmente. Essas conquistas vão nos trazendo, naturalmente, a felicidade.

A felicidade é proporcional à soma das perfeições alcançadas pelo Espírito.

Os bons sentimentos florescem. As ideias nobres ganham asas. As mágoas sangram e se curam, cedo ou tarde.

Nenhuma folha morta pende dos galhos enfraquecidos de nosso ser, sem ser amparada por mãos seguras no caminho até o chão.

Nossas lágrimas não rolam em vão.

Quando, com sabedoria, olhamos para nossa própria dor e perguntamos: O que você deseja me ensinar? - estamos dando passo decisivo para a libertação do sofrimento que ainda devassa nosso íntimo aprendiz.

Uma invisível porém, sempre presente mão misericordiosa, suaviza a queda da folha, enxuga o pranto da face.

A Providência Divina é a solicitude de Deus para com as criaturas.

Nunca ficamos sem consolo, sem amparo e sem abraço.

 

Redação do Momento Espírita, com versos do poema O sentido secreto da vida, de Helena Kolody, do livro Viagem do espelho, ed. Ócios do ofício.
Em 22.03.2012.

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