Momento Espírita
Curitiba, 08 de Abril de 2020
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ícone A queixa

Você costuma se queixar?

Poucas coisas são tão desagradáveis quanto a queixa sistemática, mas a pessoa queixosa perturba muito mais a si mesma do que às outras que a cercam.

Deve-se reconhecer que a vida é difícil, que a luta diária pela sobrevivência requer muito esforço e esse esforço redunda, não poucas vezes, insuficiente para vencer todos os compromissos que a sociedade impõe.

Entretanto, essa é a situação de mais da metade do povo brasileiro.

O queixoso não se dá conta disso, e julga-se o único atingido pelas vicissitudes da existência.

Conta-se que uma senhora adentrou desesperada numa sociedade espírita. Imediatamente foi atendida naquilo que chamamos Diálogo Fraterno.

Em particular, ela recebeu a atenção de um senhor muito prestativo e sorridente. Relatou-lhe, então, a razão de sua angústia, entremeando a narrativa com lágrimas muito sentidas.

O senhor não imagina o meu sofrimento. Acontece que,  há vinte anos, o meu marido me deu um anel de brilhantes como presente de aniversário. Isso foi bem antes de ele morrer e me deixar viúva.

Continue, encorajou-a o homem, interessado.

Pois veja o senhor meu sofrimento: nesta manhã, dei-me conta que o anel havia sumido... O senhor não é capaz de imaginar o tamanho da minha dor.

Será que vocês, aqui no Centro Espírita, não podiam localizar meu anel? É a única recordação que tinha da minha felicidade com meu marido!

Revelando compaixão e serenidade, o homem atencioso esclareceu-a, explicando que os centros espíritas não se prestavam a tais serviços. Mas que ela deveria confiar na bondade de Deus, pois, talvez, antes do que pudesse acreditar, teria a alegria de encontrar o anel, caído em algum canto da casa.

A seguir, falou-lhe da beleza da vida e das lembranças emotivas que deveria guardar, com otimismo, em relação ao marido que, apesar de morto para a realidade física, prosseguia vivendo no mundo invisível.

A mulher, finalmente, se acalmou.

Somente na despedida, quando foi agradecer pela atenção recebida, é que ela pôde perceber que o homem que a tranquilizara pela perda de um anel não tinha os dois braços.

*   *   *

De modo algum podemos cerrar os olhos para as verdades dolorosas da existência, contudo, essas dores se tornam muito mais amenas quando paramos para pensar e socorrer aqueles que suportam pesos ainda maiores do que os nossos.

Assim, espanquemos a nuvem da queixa com os instrumentos de segurança plena, e apaguemos a fogueira da impulsividade que nos impele aos atos impensados, afastando-nos dos deveres para com a vida.

A queixa pode ser comparada a um ácido perigoso que sempre produz dano.

Antes de nos lamuriarmos, olhemos para trás e contemplemos os que estão na retaguarda.

 

Redação do Momento Espírita com base no verbete Queixa, do livro
Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco
ed.  Leal.

Em 24.07.2012.

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