Momento Espírita
Curitiba, 26 de Setembro de 2020
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ícone Fuga enganosa

Amanhece o dia e despertas. Mal abres os olhos e acodem-te à mente um turbilhão de pensamentos. As preocupações do ontem assomam à lembrança. Os problemas, que te torturavam horas antes do sono, tornam a te alcançar.

Novo dia, é preciso recomeçar. É preciso enfrentar a dificuldade, a prova, a dor, retornar à luta.

Dias há que desejas fugir, escapar. Ah, se pudesses ir para longe, muito longe das pessoas, lugares e situações que te constituem tormenta.

Mas não podes. O dever te chama à ordem. As vozes dos familiares, dos colegas, dos amigos te dizem das obrigações a cumprir, dos obstáculos a vencer, da dor a enfrentar.  Por vezes, te sentes como se estivesses acuado e um lampejo atravessa-te o cérebro: fugir!

A ideia da fuga toma vulto e pensas em abandonar a vida. Matar-se.

Detém o gesto, enquanto é tempo. Recompõe o pensamento. O suicídio não te sanará os problemas e as dores que te dilaceram irão contigo. Acrescidas, ainda, da constatação de que ninguém mata a vida. Morre o corpo, mas o Espírito, esse permanece vivo e ativo.

Alija da mente a ideia suicida. Se prosseguires alimentando-a, encontrarás quem te dê um empurrãozinho. A grande maioria dos que vivemos na Terra temos inimigos do ontem, retidos na Espiritualidade. Um deles poderá desejar perder-te e aumentará, com sua presença, teu desejo de fuga. Refaz o pensamento.  

Seja qual for o drama ou o problema que estejas vivendo, deves procurar na prece e no trabalho o socorro urgente.

Se o motivo for problema financeiro, pensa que o dinheiro vai e volta, e vale a pena suportar o momento difícil e esperar...

Se o motivo é afetivo, mais fortes razões para apagar do íntimo a ideia infeliz. Afinal, o verdadeiro bem-querer é mensagem de vida. Não de morte.

Caso o motivo seja uma falta cometida, recorda que o suicídio não resolverá a questão. Vale a pena viver, mantendo o corpo, demonstrando coragem, e arcando com o pagamento do erro.

Se fugires, carregarás a consciência da culpa onde quer que estejas.

Vive, pois! Por que te quererás matar, se não há morte, em nenhuma parte do universo?  Em tudo, somente as transformações. Se chamas a isso de morte, faze esforços para que morras de tanto amar ao próximo, de tanto trabalhar no bem, de tanto te afastares dos vícios em busca das virtudes.

Morre, então, de tanto viver pelo bem de todos.

Esquece o suicídio. É coisa fora de sentido para quem amadureceu sob as bênçãos da vida.

*   *   *

Lembra que a prece é um apoio para a alma desalentada e aflita.

Recorda que o fardo das dores é sempre proporcional às forças e Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos.

Por fim, tem em mente que a vida humana é uma escola vasta e bendita que responde ao nosso esforço na mesma intensidade do nosso impulso na criação do bem.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 6, do livro Revelações
da luz, pelo Espírito Camilo, psicografia de Raul Teixeira, ed. Fráter; no
item 16 do cap. V,  do livro
O Evangelho segundo o Espiritismo, de
Allan Kardec, ed. Feb e no verbete
Vida, do livro Dicionário da alma,
por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido
Xavier, ed. Feb.
 Em 14.09.2012.

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