Momento Espírita
Curitiba, 09 de Abril de 2020
busca   
no título  |  no texto   
ícone Filhos do Calvário

A jovem Agnes desceu do trem com o qual chegara até a Índia.

Há poucos meses havia feito seus votos religiosos e agora chegava a esse país desconhecido para ela, a fim de lecionar inglês na escola mantida por sua Ordem.

Passados alguns meses, começou a se sentir incomodada por conhecer somente superficialmente aquele imenso país que a abrigava.

Dessa forma, chegando o feriado da Semana Santa, resolveu tomar um trem a fim de que, visitando outras cidades além da que residia, pudesse aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura e a sociedade indiana.

E assim foi a jovem religiosa, de estação em estação, de diversas cidades. Nesse giro, percebeu o quanto de sofrimento havia naquele país, oriundo da mais absoluta desigualdade social.

Agnes viu de perto a amargura dos párias.

É verdade que na Índia, legalmente, não há divisão entre castas.

Entretanto, culturalmente, aqueles que nascem párias são considerados impuros e qualquer proximidade com eles, até uma simples troca de olhares, acreditam, pode trazer má fortuna. 

Ao desembarcar em uma das tantas estações, Agnes percebeu que, somente no vagão onde se encontrava, seis pessoas haviam caído mortas por conta das condições precárias de saúde e higiene ou asfixiadas pela grande lotação.

Tais mortes, aliadas a todo sofrimento que havia presenciado, fizeram com que a religiosa tomasse ciência, realmente, do que era a Índia.

Retornando de sua viagem, adentrou a capela na qual costumava fazer suas orações. Duas palavras lhe vieram à mente: Tenho sede.

Agnes lembrou de que, naquela tarde vergonhosa na qual Jesus foi levado ao madeiro da cruz, Ele teve sede e os algozes lhe deram uma esponja embebida em vinagre.

Quase dois mil anos se passaram e Jesus continua com sede. O que dei para Jesus beber? Os malvados deram-lhe vinagre. E eu? O que lhe dei? Pensou a religiosa, com os olhos marejados de lágrimas.

Ali, imersa nas dores do Cristo e nas dores do mundo, nascia Madre Teresa de Calcutá.

Ela percebeu que todos os que sofriam eram, assim como Jesus, filhos do Calvário e que ela necessitava auxiliá-los.

Sob essa inspiração, ela iniciou a sua obra assistencial, que atendeu não somente os párias sociais, mas, principalmente, os párias morais.

Ela entregou sua vida a Jesus, encontrando-O nos abandonados pela mesquinhez humana.

*   *   *

Madre Teresa conseguiu enxergar aquilo que para muitos de nós passa despercebido ou que, então, não contabilizamos como uma responsabilidade nossa: as dores do mundo.

Passamos tanto tempo preocupados conosco mesmos, com nossas conquistas, sonhos e ideais, que nem nos lembramos de que grande é o número dos que perecem pela miséria, pelo abandono, pela solidão.

Buscamos a própria felicidade diariamente. Mas será possível ser feliz quando se sabe que tantos são os que passam sede e recebem a esponja vinagrosa do descaso?

Pensemos nisso!

 

Redação do Momento Espírita, com base na palestra Vitória do
amor, proferida por Divaldo Pereira Franco.
Em  22.6.2013.

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2020 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998