Momento Espírita
Curitiba, 29 de Março de 2020
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ícone O que poucos sabem...

O que existe por trás da figura pública de um artista?

Quase sempre ele é visto como alguém bem sucedido, que precisa se esconder dos fotógrafos. E ganha dinheiro muito fácil.

Espera-se que esteja sempre sorrindo, sempre bem, atendendo o público insaciável, em todos os lugares pelos quais transite.

Dificilmente se pensa no ser humano que tem família, ou sofre a carência dela; que tem problemas; que enfrenta certas dificuldades, muito próprias dos que vivemos neste planeta ainda de provas e expiações.

Não se cogita de que aquela pessoa pode ter sofrido perdas de seres amados, que a saudade a fere, em muitas ocasiões. Ou que teve uma infância infeliz.

E, poucas vezes, ficamos sabendo dos atos de humanidade, de solidariedade, que muitos deles escondem.

Lembramos que os gestos de desprendimento de Ayrton Senna somente vieram a lume, depois de sua desencarnação, quando passaram a ser amplamente noticiados.

Contou-nos uma amiga que, há alguns anos, seu irmão, radialista, decidiu promover shows artísticos.

Era muito bem relacionado com as pessoas do meio e imaginou que estaria assegurado o sucesso.

Almir Sater estava no auge, especialmente pelo papel em novela de uma emissora televisiva.

O radialista contratou o artista sem, no entanto, ter com que pagar o cachê. Contava exclusivamente com a bilheteria que, imaginou, não somente cobriria todos os custos, mas, ainda, lhe garantiria um bom lucro.

Lêdo engano. A bilheteria, não se sabe o motivo, foi insignificante.

Instaurada a dificuldade, surgido o impasse, antes que o desespero tomasse conta do entusiasmado promotor, sua irmã mais velha convocou uma reunião familiar.

Exposto o grave problema, os pais, irmãos e cunhados, de imediato, ofereceram alguns bens, que foram transformados em pagamento ao artista.

Mas, ainda faltava uma boa parte e não havia mais de onde se conseguir o que quer que fosse.

Exposta a situação ao empresário de Almir Sater, logo a questão chegou aos seus ouvidos.

Para surpresa da família, ele entendeu, perfeitamente, a inexperiência do promotor do evento. Mesmo com o pagamento parcial, realizou o show e, posteriormente, perdoou grande parcela do que lhe era devido.

Mais do que isso, expressou palavras de uma doce misericórdia e um tal olhar de compreensão, que nunca pôde ser esquecido por aqueles familiares.

Ninguém soube do seu gesto. Nenhum escândalo. Nada vazou. Tudo ficou resguardado entre as paredes em que o acordo foi selado.

Com gratidão, a irmã adolescente do radialista foi assistir ao show. Primeira fila. E enquanto as mãos de Almir dedilhavam as cordas do violão, ela parecia ouvir uma música divina.

Ele jamais soube quantas vibrações de ternura lhe foram endereçadas e de que, até hoje, é lembrado por aqueles familiares com gratidão.

*  *  *

Diz-nos um Espírito de alta magnitude que quem é virtuoso desconhece que o é. Deixa-se ir ao sabor de suas inspirações e pratica o bem com esquecimento de si mesmo.

E, verdadeiramente, há muitas criaturas, por este imenso mundo de Deus, agindo sem ostentação, simplesmente se deixando levar por sua forma de ser.

Sem se darem conta, realizam o preceito evangélico de não saber a mão esquerda o que dê a mão direita.

Entretanto, os beneficiários de seus gestos os trazem dentro d’alma, em altar de gratidão e ternura.

Redação do Momento Espírita,
com base em fato.
Em 3.2.2015.

 

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