Momento Espírita
Curitiba, 05 de Junho de 2020
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É comum que as pessoas, quando seriamente doentes, olhem para seu passado arrependidas por tantos equívocos, por tantas oportunidades desperdiçadas.

Quase sempre admitem que gostariam que suas prioridades tivessem sido diferentes.

Elas sentem que poderiam ter utilizado mais tempo com as pessoas e com as atividades que realmente amavam, e menos tempo se preocupando com aspectos da vida que, se examinados mais profundamente, não têm real importância.

Outras, ainda, percebem que se afastaram de seus amores e de seus ideais de forma lenta, porém, quase irremediável.

Mas será necessário esperar uma situação extrema para analisar a postura diante da vida e da utilização do tempo?

Embora saibamos que a morte é uma transformação e que continuaremos a viver mesmo depois da falência de nosso corpo físico, vale a pena fazer a experiência sugerida por Richard Carlson.

Ele sugere: Imaginemo-nos em nosso próprio funeral.

Isso, segundo o autor, permitirá que consigamos olhar em retrospectiva a vida, enquanto temos oportunidade de fazer mudanças expressivas.

Além disso, tal exercício seria capaz de conceder-nos a chance de lembrar que tipo de pessoa gostaríamos de ser e quais as prioridades que realmente contam.

A respeito desse tema vale a pena lembrar a postura de Francisco de Assis.

Pouco tempo antes de sua desencarnação, já muito doente e enfraquecido, trabalhava tranquilamente em seu jardim, quando foi interrompido por Frei Leão, um dos seus seguidores.

Frei Leão, embevecido com a figura serena do pequeno Francisco, perguntou-lhe: Paizinho – como costumeiramente o chamava – se você soubesse que iria morrer amanhã, o que você faria?

Francisco sorriu docemente e respondeu sem se alterar: Eu continuaria a trabalhar no meu jardim.

*   *   *

Quantos de nós teríamos a mesma tranquilidade perante tal indagação?

Quantos teríamos, diante da certeza da morte próxima, a confiança de que estamos realmente fazendo aquilo que nos compete fazer e que nada foi relegado, abandonado, esquecido?

Francisco sabia que sua conduta não merecia reparos e que não havia nada mais, além do que ele já estava fazendo, que devesse ser realizado.

Demonstrou estar pleno da paz que invade apenas aqueles que têm a consciência tranquila pelo dever cumprido.

Essa análise, porém, só pode ser feita por cada um de nós, a quem compete, individualmente, saber a que viemos e se estamos atendendo e cumprindo as metas que norteiam a nossa atual existência.

Ninguém pode nos dizer o que fazer ou deixar de fazer, como, quando, e de que forma.

Trata-se de escolhas individuais cuja responsabilidade cabe a cada um de nós de maneira direta e intransferível.

Deixar para fazer esse balanço apenas quando a desencarnação se mostra próxima e inevitável, é desperdiçar as oportunidades de renovação que Deus nos oferece a cada minuto.

Além disso, independentemente da nossa atual situação, não nos é dado saber se ao amanhecer do próximo dia ainda estaremos no corpo físico.

Deus jamais desistirá de nós, mas isso não é justificativa para que protelemos por milênios a felicidade que nos é destinada desde sempre.

Pensemos nisso, mas pensemos agora.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 21, do livro
 
Não faça tempestade em copo d´água, de Richard Carlson,
ed. Rocco.
Em 5.2.2015.

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