Momento Espírita
Curitiba, 14 de Agosto de 2020
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ícone Três desejos

Um conto popular muito antigo narra que um casal de idosos hospedou um homem, em sua casa. Eram muito pobres mas, mesmo assim, compartilharam de boa vontade o pouco que tinham.

Vendo que possuíam corações nobres, o hóspede lhes concedeu três desejos. O que quisessem ter lhes seria dado. Bastava pedir.

Os dois agradeceram a graça entretanto, desconhecendo a identidade e o poder do que lhes pareceu um simples andarilho, não ficaram muito confiantes na promessa.

Na hora do jantar, vendo a escassez de alimento sobre a mesa, a mulher suspirou e disse:

Seria tão bom ter uma bela roda de linguiças assando na brasa...

Mal terminou de falar e uma roda de linguiças surgiu fumegando.

Ela deu um grito de espanto.

O marido, ao se dar conta de que o primeiro pedido havia sido feito, ficou muito irritado e ralhou:

Sua tola, eu queria que essa linguiça ficasse grudada no seu nariz para você aprender a não desperdiçar um pedido.

Mal havia terminado de falar quando a linguiça voou e se grudou na ponta do nariz da esposa.

Foi uma choradeira sem fim. Por mais que tentasse, a linguiça não se soltava.

O homem não teve alternativa a não ser desejar que a linguiça saísse do nariz de sua mulher.

Assim, os três pedidos foram tolamente desperdiçados.

*   *   *

Quantas vezes, por imaturidade, egoísmo ou orgulho deixamos passar oportunidades preciosas?

Se aquele casal cultivasse o diálogo poderia ter conversado sobre a oportunidade recebida, refletido sobre suas necessidades e resolvido questões de grave importância.

Apesar de serem pessoas boas, agiram de maneira infantil e egocêntrica. Tampouco pensaram que tinham nas mãos o poder de ajudar aqueles que os cercavam, além deles mesmos.

Ignoraram o fato de que, em vez de fazer pedidos para resolver problemas imediatos, como o jantar, poderiam ter desejado nunca mais passar fome, solucionando um problema bem maior.

Perderam, dessa forma, a oportunidade de melhorar a própria existência e fazer a diferença na vida de muitos.

E nós? Se nos fosse dado fazer um desejo, o que pediríamos? Algo bastante pessoal e imediato? Ou algo que pudesse também beneficiar os que nos cercam?

Quantos agimos, de forma tola, diariamente, deixando passar chances de crescimento?

Deixamos de conversar, de dialogar, de ouvir. Irritamo-nos com os outros por tolices. Brigamos porque não somos prioridade. Desejamos que os problemas desapareçam sem nos esforçarmos para isso.

E quando oramos, o que pedimos a Deus? Que solicitações fazemos? A solução de coisas imediatas, que nós mesmos poderíamos resolver com algum esforço e sacrifício?

Pedimos dinheiro? Saúde? Paz? Trabalho? Amor? Felicidade?

Pedimos apenas para nós ou nos lembramos de rogar benefícios para outras pessoas?

Quando conseguirmos vencer o egoísmo e aprendermos a estender nosso amor e nosso desejo do bem para todos os que nos rodeiam, estaremos contribuindo para que o amor e a fraternidade reinem na Terra, retirando espaço ocupado pelo mal.

Pensemos nisso. Utilizemos as oportunidades que nos são ofertadas a nosso favor e a favor do nosso próximo.

 Redação do Momento Espírita, com adaptação do conto
Quem tudo quer, tudo perde, do livro Contos tradicionais
do Brasil,  de Luís da Câmara Cascudo, ed. Global.
Em 19.6.2015.

 

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