Momento Espírita
Curitiba, 05 de Junho de 2020
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ícone Noventa minutos

O que você faria se descobrisse que só tem uma hora e meia de vida?

No filme O que fazer?, o advogado Henry Altmann descobre que tem um aneurisma cerebral e apenas noventa minutos de vida.

Abalado, vai até o escritório onde trabalha com seu irmão, interrompe uma reunião e pergunta aos presentes o que eles fariam se tivessem uma hora e meia de vida.

Seu irmão diz que iria ao templo para orar. Um cliente diz que faria amor com sua mulher.

Altman pensa em seus últimos anos, nos erros cometidos e no quanto se afastou da família. Corre para casa planejando se reconciliar com a esposa, mas seus planos não dão certo.

Telefona para o filho, com quem não fala há dois anos. Porém, ele não o atende.

O advogado havia se tornado um homem amargo e irritadiço, desde a morte de seu caçula. Brigara com o primogênito quando ele decidira parar de advogar para abrir uma escola de dança. Agora, desejava, desesperadamente, dizer ao filho o quanto o amava.

Depois de muitas reviravoltas, Altmann, finalmente, consegue se reconciliar com ele e com a esposa, antes de partir.

*   *   *

Um dia, a morte baterá à nossa porta. Só não sabemos quando, onde e como.

E há uma razão para isso: para vivermos e tentarmos fazer o nosso melhor a cada dia.

No entanto, muitos de nós evitamos fazer no dia de hoje o melhor que poderíamos, deixando para depois.

Deixamos para o próximo fim de semana a visita a um parente doente, ou aos pais idosos. Deixamos para outro dia a declaração de amor ao ser amado, ou aos filhos. Deixamos para o mês que vem o passeio com a família.

Quando confrontados com a finitude de nossas vidas, nos damos conta do pouco tempo que resta para sermos felizes e realizarmos coisas simples, que poderíamos ter feito, mas não fizemos.

Não devemos esperar a iminência da morte para realizarmos o que queríamos ter feito: amar, buscar a reconciliação e o perdão.

O que difere as pessoas que não temem a morte das que a temem é a forma como conduzem suas vidas.

Aquelas que vivem fazendo a cada dia o seu melhor, sabendo que levarão consigo o bem que concretizaram, vivem sem medo da hora da partida.

As que não encaram a morte como o fim, e sim como uma passagem para uma dimensão em que os tesouros do amor, do perdão, da bondade são determinantes para a felicidade, encaram o desenlace do corpo com mais serenidade.

Aquelas que ignoram as Leis naturais, que vivem para si, entesourando bens que nada valem no além-túmulo, se veem esvaziadas quando se deparam com a proximidade da morte e temem o que durante suas vidas se esforçaram por ignorar.

Para essas, a morte significa o fim, a destruição de tudo o que construíram. Focadas em coisas materiais, se angustiam em abrir mão do que consideram importante. E quando a proximidade da morte abre seus olhos para a relatividade das coisas, creem não haver mais tempo para o que realmente importa.

Mas a justiça Divina é generosa e sempre haverá tempo para o amor, o perdão e a caridade. Mesmo que restem apenas noventa minutos!

Redação do Momento Espírita, com narrativa do filme
O que fazer? (The Angriest man in Brooklin).
Em 19.8.2015.

 

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