Momento Espírita
Curitiba, 21 de Maio de 2018
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ícone Terapia do abraço

Um compositor e cantor brasileiro fez sucesso, em anos passados, com uma música intitulada Aquele abraço.

Entre elogios ao Rio de Janeiro, lembrando coisas muito próprias de nosso país, do cenário artístico, inclusive, ele distribuía abraços.

Citava a torcida do seu time de futebol, o bairro de sua eleição, a moça da favela, a banda que apreciava, o povo brasileiro como um todo. Para cada um endereçava: Aquele abraço.

Influenciados ou não pela música, em São Paulo, um grupo de pouco mais de vinte voluntários se formou e se intitulou: Aquele abraço.

O grupo distribui carinho aos dependentes e moradores de rua, dá orientações, organiza banhos e facilita o acesso aos serviços públicos de assistência.

A psicóloga Tina Galvão é uma das voluntárias. Todas as quintas-feiras, a senhora, de mais de setenta anos, desce de seu apartamento, no centro da cidade, e segue em direção à região de tráfico de drogas e prostituição.

No caminho, distribui abraços aos viciados que circulam pelas ruas. Sozinha ou acompanhada, ela não teme andar lentamente por esse lugar violento.

Ela aplica a terapia do abraço e renova a vida de pessoas que a maioria de nós ignoramos.

A aposentada lembra da importância de um gesto atencioso para mudar o rumo de uma vida.

Recorda que aos dezenove anos, sonhava em adentrar a faculdade. Contudo, ela ficava em outra cidade, a quarenta e quatro quilômetros de distância.

Quase desistindo de seu sonho, um gesto providencial lhe renovou as esperanças. Um vizinho, funileiro, que trabalhava para a prefeitura, soube da dificuldade dela e se ofereceu para conduzi-la diariamente, sem cobrar absolutamente nada.

Afinal, ele fazia o trajeto de ida e volta todos os dias.

Tina descobriu que um ato de generosidade tem um valor inestimável mesmo que, para quem o ofereça, possa parecer algo simples, sem muita importância.

E em cada ação que empreende, ela não se esquece de espalhar atos de bondade. Enquanto professora, dava aulas gratuitas na garagem de sua casa, para crianças que não conseguiam vaga na escola.

Como assistente social lutou para que as pessoas tivessem acesso a condições dignas.

Atualmente, milita por melhores políticas públicas para a região central da capital paulista.

Ela sabe que a generosidade une as pessoas, que em situações difíceis somente o apoio e a solidariedade permitem a sobrevivência.

E agradece o ter trabalhado com criaturas à margem da sociedade. Diz que isso a tornou mais sensível, menos ensimesmada, fazendo-a acreditar num mundo mais solidário e menos solitário.

*   *   *

Há muito bem espalhado pela Terra. O número das pessoas que se preocupa com o seu semelhante é grande. Normalmente, não ocupam as manchetes.

Elas vivem no coração dos beneficiados, de todos aqueles que se contagiam com a sua forma de ser e de se doar.

Também têm seus nomes anotados no livro das pessoas de bem. Um livro que é aberto e consultado por Deus e por Seus mensageiros celestes, sempre que há necessidade de uma alma generosa, na Terra, para atender um irmão necessitado.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no texto
 
A honra de fazer o bem, de Bruna Fasano e Rita Loiola,
da revista
Sorria, de dezembro 2013/janeiro 2014, ed. MOL.
Em 23.9.2015.

 

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