Momento Espírita
Curitiba, 22 de Novembro de 2017
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ícone Os pais como jardineiros

Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más.

Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar.

Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho.

Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.

*   *   *

Podemos ler nas palavras do inspirado Saint-Exupéry uma síntese sobre a educação.

Como pais somos jardineiros, e quanto mais atentos e dedicados formos, mais belo poderá ser nosso jardim.

Nossos rebentos trazem sementes invisíveis, plantadas em outras eras – são suas tendências. Estão debaixo da terra. Ninguém sabe o que são e quando irão se manifestar.

Não são terra virgem. Somente um olhar apressado e desatento julga dessa forma.

E quando essas primeiras tendências despontam, só o jardineiro alerta, que cuida da planta diariamente, consegue perceber.

Há cultivadores que só vão notar suas plantas depois de crescidas, quando os galhos já estão fortes, quando a poda do que não é bom já é muito mais difícil.

Não só isso. Perdem também o prazer de vê-las em todas suas fases de desenvolvimento, com suas peculiaridades e belezas.

Porém, quem está ali, com os olhos na terra, percebe logo, e se não for coisa boa, como roseira ou rabanete, trata logo de podar.

Isso significa que as tendências negativas, quando são observadas e trabalhadas desde cedo, têm mais chances de serem modificadas. O trabalho é árduo, mas quanto mais cedo começar, mais amplas as possibilidades de sucesso.

Por que você está agindo assim, meu filho?

Você tem ideia de como o outro está se sentindo com o que você fez?

Não é melhor dividir? Você está com raiva? Vamos conversar sobre ela?

Podar, na linguagem aqui utilizada, não significa abafar sentimentos negativos, ou proibir as crianças e jovens de sentirem isso ou aquilo. Não, isso só agrava a questão.

A poda aqui é um aparar cuidadoso, um enfrentamento dos conteúdos íntimos que se faz abertamente, inclusive, por vezes, com auxílio de profissionais da área, dependendo do caso.

Recriminar ou proibir, simplesmente, esse ou aquele sentimento ou comportamento, sem trabalhá-los, sem procurar entender suas matrizes nas crianças, traz prejuízos enormes, como recalques e frustrações.

O horticultor atencioso celebra a chegada das plantas boas e trata de regá-las, iluminá-las, dar-lhes boas condições para que cresçam com vigor.

Bons pais reforçam os comportamentos positivos de seus filhos e não apenas corrigem e punem o tempo todo.

Parabéns pelo seu esforço! Você mereceu esta vitória! É mérito seu. Gostei muito desta sua atitude! Faça isso sempre! Você agiu corretamente nesta situação. Estou muito feliz!

É um trabalho diário, é um cuidado minucioso com cada filho, atendendo cada planta em sua necessidade específica, pois esta planta tem certas características e aquela tem outras. É uma verdadeira arte.

Por isso, como pais, não descuidemos deles. Se assumimos esta missão tão importante, sejamos os melhores jardineiros possíveis dentro das nossas possibilidades e limitações.


Redação do Momento Espírita, com base em texto do livro
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, ed. Agir.
Em 28.9.2015.

 

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