Momento Espírita
Curitiba, 06 de Agosto de 2020
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O pai auxilia o filho com a lição de casa. Ao folhear um livro, se depara com fotos das pirâmides do Egito.

Pai, quem construiu isso?

Foram os egípcios. – Foi a resposta rápida.

Isso eu sei. – Diz o esperto garoto. Quero saber quem foi que colocou as pedras umas sobre as outras para montar as pirâmides.

Ora, foram os construtores, os trabalhadores, os escravos. - Esclarece o pai.

Mas qual era o nome deles? Devem ter sido muitos.

Com certeza. Faz muito tempo e não sabemos os nomes deles. Só ficaram registrados o nome dos faraós que as mandaram construir e de alguns dos arquitetos que as planejaram.

Mas pai, isso não é justo. Tinha de ter uma plaquinha com os nomes de todos os que trabalharam duro prá gente poder agradecer essa belezura que eles fizeram.

Diante do raciocínio do filho, o pai sorriu e pensou em muitas outras obras magníficas feitas por mãos anônimas.

*   *   *

Assim como o ser humano edifica monumentos, também outros seres elaboram obras incríveis, nas quais muitas vezes nem reparamos.

Pássaros fazem ninhos, simples ou complexos, que acolhem os ovos, protegem os filhotes e acomodam a família.

Insetos constroem abrigos, casulos e colmeias com intrincados sistemas de organização.

Alguns animais constroem tocas com lascas de madeira, galhos e folhas.

Mesmo os seres que não possuem mobilidade, como árvores e plantas, trabalham ao produzir oxigênio, flores, frutos e seiva.

Na natureza, o trabalho de construção é incessante. O fruto do trabalho dos seres preserva as espécies e mantém o equilíbrio das coisas.

Quando pensamos em trabalho, normalmente nos vem à mente uma ação que remunera e provê recursos para obter bens materiais, pagar contas, manter a vida.

Mas nem todo trabalho envolve dinheiro. Trabalho é, em verdade, toda ocupação útil.

O que define sua utilidade é o que esperamos obter com ele, de acordo com a forma como enxergamos a vida.

Para alguns, trabalho é obrigação, servidão. Para os escravos egípcios a construção das pirâmides foi um trabalho forçado, penoso e que custou o sacrifício de suas vidas.

Para muitos trabalhadores, é algo que lhes confere status, dignidade, motivo para acordar de manhã.

Para alguns, trabalhar é fazer algo que possa ser usufruído por outros. Executam seu trabalho com prazer, cientes de estarem cumprindo com um dever que transcende a matéria. Trabalham conectados a algo maior, sem se importar com reconhecimento e fama.

*   *   *

Quando o objetivo do trabalho é unicamente obter dinheiro para sustentar necessidades e patrocinar prazeres, não propiciará a plena realização e evolução do ser humano.

Quando se foca no progresso, na construção de um mundo melhor para todos, saindo de uma visão restrita e egocêntrica, objetivando edificar o melhor para a coletividade, passa a ser prazeroso.

Trabalho comprometido com justiça, respeito, qualidade de vida, igualdade e em equilíbrio com a natureza traz muito mais que resultados materiais. Traz ganhos preciosos que, mesmo sem serem vistos, podem ser sentidos.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. III,
pt.3 de
O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 30.9.2015.

 

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