Momento Espírita
Curitiba, 21 de Setembro de 2020
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ícone Um enorme coração

Amar o próximo como a si mesmo é preceito evangélico exaustivamente repetido. Acontece que, quase sempre, não sabemos exatamente o que significa.

Como demonstrar amor ao próximo? Às vezes, marcamos data e vamos visitar um lar de idosos. Preocupamo-nos em levar doces, frutas, guloseimas. E vamos distribuindo, de mão em mão, meio às pressas.

De outras vezes, deixamos de ir porque dizemos não ter dinheiro para comprar algo para levar. Como chegar de mãos vazias?

Nem pensamos que, para aquelas criaturas solitárias, quase sempre esquecidas pelos familiares, o mais importante é alguém se dar.

Isso significa segurar suas mãos, levar uma tesourinha e cortar suas unhas. Lixá-las. Colocar um esmaltezinho. Tomar de um pente e escova e fazer um penteado diferente.

Qual a mulher, de qualquer idade, que não gosta de se sentir bonita?

Amar o próximo é servi-lo onde se encontra, na circunstância que se apresente. Ceder o lugar no ônibus é sinal de urbanidade.

Mas, convidar o idoso, deficiente ou a mãe com o bebê ao colo a se sentar, com um sorriso nos lábios e uma frase sugestiva, como: Sente-se aqui. Ficará mais confortável – é amor ao próximo.

Isso nos recorda daquela sorveteria famosa, sempre lotada nos dias de calor.

Sorvete delicioso. Sabores variados. Clientela bem atendida.

Homens, mulheres, crianças, todos fazem fila e aguardam pacientemente a sua vez.

Tudo por um sorvete gostoso. Refrescante.

A menina sozinha, com o dinheiro na mão, também entrou na fila. Esperou, sem reclamar, mesmo quando uns garotos passaram à sua frente, sem cerimônia e sem polidez.

Quando chegou ao caixa, antes que pudesse falar qualquer coisa, o funcionário lhe ordenou que saísse e lesse o cartaz na porta.

Ela baixou a cabeça, engoliu em seco e saiu. E leu o cartaz, bem grande, na porta de entrada: Proibido entrar descalço!

Olhou para os seus pés descalços e sentiu as lágrimas chegarem aos olhos. O gosto do sorvete não comprado se diluindo na boca.

Ia se retirando, cabisbaixa, quando uma mão forte a tocou no ombro. Era um homem alto, grande. Para a menininha, ele parecia um gigante.

Foi com ela até o meio-fio, sentou-se e tirou os seus sapatos número quarenta e quatro e os colocou em frente a ela.

Depois, a suspendeu e enfiou-lhe os pés nos seus sapatos.

Eu fico aqui, esperando. – Disse ele. Vá buscar o seu sorvete! Não tenho pressa.

Ela foi deslizando os pés, arrastando os sapatos, até o caixa. Comprou sua ficha e saiu, vitoriosa, com seu sorvete na mão.

Quando foi devolver os sapatos para aquele homem, de pés grandes, barriga grande, ela se deu conta de que se ele tinha pés enormes, muito maior ainda era o seu coração.

*   *  *

Amar ao próximo é fazer a alegria de alguém, por mais insignificante que ela possa parecer.

É ter olhos de ver a necessidade refletida nos olhos tristes.

É ter ouvidos de ouvir os soluços afogados na garganta e os pedidos jamais expressos.

Amar ao próximo é simplesmente ter a capacidade de olhar um pouco além de si mesmo.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
 
Pés grandes, coração maior ainda, de autor desconhecido,
 do livro
Histórias para aquecer o coração dos pais, de
Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jeff Aubery,
Mark & Chrissy Donnely, ed. Sextante.
Em 13.10.2015.

 

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