Momento Espírita
Curitiba, 09 de Abril de 2020
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ícone Tico-tico e pardais

O tico-tico é uma ave que pertence a uma família imensa. Variando em tamanho, uns maiores, outros menores, do México à Terra do Fogo, ele é conhecido.

No Brasil, já fez história. Foi nome de famosa revista infantil que era leitura até de Ruy Barbosa.

Foi e continua sendo motivo para muitas lendas, que alimentam a imaginação.

Em muitos recantos do Brasil, era encontrado em abundância. Na cidade maravilhosa, não era diferente.

Certa feita, no entanto, um prefeito do Rio de Janeiro adquiriu, em Portugal, alguns pares de pardais. O objetivo era colocá-los em seus viveiros, no paço municipal.

Não se sabe bem o porquê, mas as pequenas aves acabaram não sendo liberadas pela aduana do porto. Questões alfandegárias.

Então, ele tomou uma decisão. Foi ao cais e abriu as portas das gaiolas onde estavam os pardais, concedendo-lhes a liberdade do voo em céus cariocas.

Libertos, os pardais se reproduziram de forma prodigiosa. E sabe por que? Porque a fêmea, de forma astuta, como age a do chupim, ia para os ninhos dos tico-ticos, destruía seus ovos e colocava os dela no lugar.

A mamãe tico-tico acabava por chocar os ovos alheios. Não se passou muito tempo, e o Rio de Janeiro observou diminuir o número de tico-ticos e crescer o número daquela família de pardais.

*   *   *

Na vida, há muita gente que age como esses pardais e os chupins, isto é, coloca as suas obrigações nas costas de outros, esperando que eles realizem aquilo que lhes compete.

Dentro do lar, são as crianças que deixam os pequenos afazeres caírem sobre os ombros de mães sobrecarregadas ou empregados contratados para outras tarefas.

Acabam por se tornar irresponsáveis, crescendo entre linhas de acomodação e autoritarismo, onde os outros lhes devem providenciar tudo.

Adultos, vão engrossar as fileiras dos que somente desejam da vida desfrutar as venturas, sem esforço algum.

Nas repartições, empresas e indústrias são os funcionários relapsos, que deixam o que lhes seja possível para os colegas.

São incapazes de colocar uma cadeira no lugar, desligar um computador, acionar os interruptores das luzes ao final do expediente, desligar ventiladores.

Alguém fará. Se são subordinados, aguardam que as chefias o façam. Se são os superiores, reclamam se os seus comandados não o fazem.

Nas ruas, praças, jardins e estradas são aqueles que veem o obstáculo impedindo a passagem, mas aguardam que outros tomem providências para a sua retirada.

Reclamam do buraco perigoso, do qual conseguiram se esquivar, mas não se dignam avisar a outros, que virão em seguida.

São os que observam um cano rompido em plena rua, mas não se dão ao trabalho de telefonar ao setor competente, a fim de solicitar o conserto.

Esperam que alguém o faça. Não se importam se a água está escasseando, se o desperdício se fará por horas.

São os que desviam da lata vazia jogada, dos papéis dispersos pelo chão, mas não se dignam juntar e colocar no lixo, colaborando com a limpeza.

Nada, que não se refira a si próprios, os afeta. Esquecem, os que assim procedem, que o único ser perfeito que já andou por este planeta, afirmou: O meu Pai trabalha incessantemente. E Eu trabalho também.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo
O tico-tico, de Carmen Imbassahy, da revista Harmonia,
número 107, de setembro/2003.
Em 10.11.2015.

 

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