Momento Espírita
Curitiba, 27 de Setembro de 2020
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ícone Treinamento para a vida

Assistindo a uma competição de patinação artística, a plateia silencia e acompanha atentamente os movimentos dos patinadores.

Eles deslizam pelo gelo, rodopiam, saltam, fazem manobras complexas. Para quem os observa, a impressão é de que tudo é muito simples e fácil.

Não sabemos quantos tombos, luxações e até fraturas eles enfrentaram, ao longo de anos de treinamento, para chegarem àquela performance quase perfeita.

Também não imaginamos quantos sacrifícios pessoais foram necessários para que eles pudessem estar ali.

Quando se apresentam, os patinadores estão concentrados em dar o seu melhor.

Eles sorriem, como se aquele momento fosse o mais maravilhoso de todos. E nos arrebatam.

Quando recebem os aplausos, tudo pelo que passaram fica para trás e eles se realizam, felizes por terem insistido, persistido, se dedicado tantas horas.

Quando assistimos a uma apresentação de ginástica, não sabemos o quão dolorosa ela pode ser para o atleta.

Não nos perguntamos quantas horas ele treina por dia, se tem amigos, família, se gosta de passear, cantar, ler, ir ao cinema.

Estamos hipnotizados por aquele momento. Prendemos a respiração quando o movimento é difícil e trabalhoso.

E, quando ele conclui todos os exercícios, rompemos em aplausos.

*   *   *

Assim somos nós em nossas vidas.

As dificuldades que enfrentamos, as quedas, as dores fazem parte de nosso treinamento.

Não um treinamento para desenvolvermos músculos e sermos atletas, mas para desenvolvermos as virtudes do Espírito e nos tornarmos seres evoluídos.

Nossas luxações são de ordem moral. Visam desprender de nosso interior o orgulho e o egoísmo.

As torções e os revezes são alertas para prestarmos atenção aos nossos pensamentos e sentimentos.

Os tombos são testes que avaliam nossa fé em Deus e nossa capacidade de nos reerguermos e prosseguirmos.

As dores que sentimos na alma podem ser minimizadas com a oração, a fé na bondade do Pai e a confiança de que nada nos acontece por acaso.

Quando passamos por momentos de dor e sofrimento, mesmo que sintamos vontade de jogar a toalha, lembremo-nos de que é preciso prosseguir, sem abandonar o treino.

Não desistamos da vida porque ela nos exige mais do que estamos dispostos a dar. Assim como o treinamento físico prepara o corpo, aumentando-lhe a resistência, o sofrimento aperfeiçoa nosso ser.

Os artistas que deslizam pelo gelo adquiriram força e depuraram seu desempenho treinando e treinando.

Os que sonham em serem felizes, adquirem força e depuram o Espírito vivendo, amando e perdoando.

Chegará o momento em que nos apresentaremos para o Pai, não em piruetas, rodopios, giros e saltos, mas como estrelas brilhantes.

Será, então, possível ler em nossa alma tudo o que superamos e deixamos para trás: vícios, imperfeições, orgulho, egoísmo.

E mostraremos nossas conquistas. O amor que já somos capazes de vivenciar, o perdão que oferecemos de maneira natural e espontânea.

Nesse dia, seremos envoltos na mais pura luz. A luz do amor e da verdade. A luz do Pai, inigualável, insuperável.

E como atletas olímpicos que se esmeraram em sua modalidade, receberemos os louros da vitória.

Redação do Momento Espírita.
Em 10.5.2016.

 

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