Momento Espírita
Curitiba, 26 de Setembro de 2020
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ícone As faces da verdade

As crianças tagarelavam animadamente enquanto a professora preparava a sala para começar a atividade do dia.

Em silêncio, ela arrumou as cadeiras em círculo. No meio, colocou uma caixa forrada com papel colorido.

Sua atitude despertou a curiosidade dos alunos que, sentando-se, pouco a pouco, pararam de conversar, interessados no que poderia haver ali.

Afinal, era um objeto diferente.

Embora originariamente tivesse sido uma simples caixa de sapatos, fora tornada especial e interessante pelo papel colorido que a forrava e pelos variados desenhos que cobriam todos os lados.

Cada um de vocês, sem sair do lugar onde está, nem falar com os colegas, deverá relacionar os desenhos que veem estampados na caixa. – Orientou a professora.

Em silêncio, cada um anotou em uma folha o que estava vendo.

Em seguida, a professora pediu para uma das crianças:

Leia, por favor, a lista do que você vê na caixa.

Uma bola, um lápis e uma flor amarela. – Respondeu, prontamente, uma garotinha.

Olhando para a criança que estava exatamente na frente dessa, a professora perguntou:

A sua lista coincide com a de sua colega?

Não. – Respondeu, desconfiado, o menino a quem havia sido dirigida a palavra. – Vejo desenhados na caixa um pião, um carrinho e uma laranja.

Pois bem, – disse a professora, olhando para a classe – qual dos nossos colegas está com a razão?

Um grande burburinho se estabeleceu.

As crianças começaram a falar, simultaneamente, cada qual dizendo o que via, o que não coincidia com o que os demais falavam.

Passados apenas uns instantes, a professora reassumiu a palavra, pedindo silêncio e explicando:

Imaginem que a caixa que vocês estão vendo é a verdade. Cada um consegue apenas visualizar um ângulo dela.

Não é possível saber o que o colega que está sentado à sua frente pode ver.

Tampouco qualquer de vocês sabe qual é o desenho que há na parte debaixo. – Disse, erguendo a caixa e mostrando que, na parte inferior, havia uma bela figura.

*   *   *

A verdade é única e incapaz de se amoldar aos interesses individuais.

Ela exige, porém, que cada um busque ângulos diferentes, conhecimentos mais amplos, para que possa estabelecer um juízo mais seguro a respeito de qualquer assunto.

Acreditar que apenas o nosso ponto de vista está correto pode provocar discórdias e equívocos.

Nossa percepção, por vezes, está limitada a apenas um dos vários aspectos da verdade.

Afinal, normalmente, cada qual vê apenas uma face da mesma caixa.

Ao invés de crermos que somos os donos da verdade, cabe-nos a humildade e a sabedoria de tentar entender os motivos que fazem os outros se posicionarem de forma tão diferente da nossa.

Quando Jesus nos disse que a verdade será motivo de nossa libertação, ele não se referia às verdades parciais que estabelecemos para nós mesmos.

Referia-se à verdade plena e incorruptível. Aquela que somente teremos condições de alcançar quando abandonarmos o orgulho que entorpece nossos sentidos e cega nossa razão.

Redação do Momento Espírita.
Em 14.7.2016.

 

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