Momento Espírita
Curitiba, 17 de Fevereiro de 2019
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ícone Voltar os olhos para a luz

Narra-se que uma das cunhadas do médium mineiro Francisco Cândido Xavier teve um filho com sérias dificuldades físicas e mentais.

Braços e pernas atrofiados. Os olhos, cobertos por uma espessa névoa, mantinham-no mergulhado na mais completa escuridão.

Inspirava medo às pessoas que o viam. Era tão deformado que a mãe, ao vê-lo, teve um choque e foi internada num hospital psiquiátrico.

Chico ficou sozinho com o sobrinho.

Cuidar dele não era fácil. Medicá-lo, banhá-lo e aplicar-lhe um clister diariamente.

O menino não deglutia e, para alimentá-lo, Chico tinha que formar uma pequena bola com a comida, colocar em sua garganta e empurrar com o dedo.

Isto, durante onze anos, aproximadamente.

Quando o sobrinho piorava, Chico orava muito por ele. Já o amava como um filho.

Um dia, porém, o Espírito de Emmanuel lhe disse:

Ele só vai desencarnar quando o pulmão começar a desenvolver e não encontrar espaço. Aí, então, qualquer resfriado pode se transformar numa pneumonia e ele partirá.

Quando estava próximo dos doze anos, foi acometido de uma forte gripe e começou a definhar.

Na hora da desencarnação, seus olhos voltaram a enxergar. Ele olhou para Chico e procurou traduzir toda a sua gratidão naquele olhar.

Emmanuel, presente e emocionado como Chico, explicou:

Graças a Deus. É a primeira vez, depois de cento e cinquenta anos, que seus olhos voltam para a luz. As suas dívidas do passado foram aniquiladas. Louvado seja Jesus.

Chico Xavier sempre teve seus olhos voltados para a luz, e este é mais um dos inúmeros exemplos disso.

O sobrinho, necessitado de acerto com as Leis maiores, encontrou no amor do tio o estímulo necessário para deixar as trevas.

*   *   *

Enquanto não acertamos as dívidas do passado, enquanto não cumprimos os compromissos assumidos até o fim, não conseguimos nos libertar da escuridão.

A expiação é mecanismo infalível da Lei Divina.

Diz-nos ela que cada um de nós é responsável pelos equívocos realizados, nesta ou noutra existência, e que sempre assumimos o compromisso de resgate perante a vida.

Assim é que as vicissitudes da vida corpórea constituem expiação das faltas do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro.

Depuram-nos e elevam-nos, se as suportamos resignados e sem murmurar.

Para voltar os olhos para a luz, novamente, faz-se necessário o arrependimento sincero, o aprendizado e o resgate.

É assim que a Justiça Divina opera, dando a cada um o que é seu, de acordo com sua necessidade.

Voltar os olhos para a luz é desprender-se, através do amor ou da dor, do passado de desvarios ao qual muitos ainda estamos aprisionados.

É tempo de caminhar com passos seguros, mirando-se na caridade-doação de um Chico Xavier, que mostra o caminho do amor para o encontro com a luminosidade que espera todos nós.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Dívida e resgate,
 do livro Chico, de Francisco, de Adelino da Silveira, ed. CEU e no
 item 399, de
O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 29.7.2016.

 

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