Momento Espírita
Curitiba, 11 de Agosto de 2020
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ícone Caridade profunda

Aquela senhora era uma excelente mensageira do amor e da fraternidade.

Em casa e no meio social, poucos sabiam de suas atividades em favor dos menos favorecidos.

Discretamente, saía com o carro abastecido de alimentos e de roupas infantis, que ela mesma confeccionava.

Dirigia-se à periferia da cidade onde era tida como o anjo da guarda de várias famílias.

Sempre sorrindo, as via se movimentarem felizes, quando chegava.

Distribuía palavras de ânimo, de orientação e de incentivo, afagos aos idosos e pequeninos.

Tinha se proposto, firmemente, a praticar a virtude especial da caridade.

Dizia que doar coisas é fácil, mas ela queria dar de si mesma.

Quando algum de seus atendidos se encontrava enfermo, o medicamento, através dela, logo lhe chegava às mãos, acompanhado de palavras de coragem.

Quando vinha lhe agradecer, ela pedia que o fizesse a Deus e a Jesus.

Bem disposta, encontrava tempo para essas atividades que beneficiavam muitas vidas.

Dizia que aqueles momentos lhe repercutiam na alma com tanta vibração positiva, que se sentia cada vez mais forte no seu propósito.

O seu era o prazer de atender, de servir, de ajudar, de orientar: aqui dizia a uma mãe como melhor cuidar do seu bebê, ali sugeria a busca de emprego em determinado local, adiante ensinava como se cadastrar em certos programas sociais.

Chamavam-na a Dama da Caridade.

*  *  *

A caridade reflete o princípio cristão fundamental de amor entre todos: fazer ao outro o que gostaríamos que nos fizesse.

Esse amor independe da situação em que se encontre, tendo aplicação no âmbito moral e material.

A caridade material, conforme se entende, é dar esmolas.

Caridade moral é algo mais profundo porque exige o dar de si mesmo.

É nos imaginarmos no mesmo nível do necessitado e falar com ele de igual para igual.

Dialogar, para se certificar das reais necessidades.

Muitas vezes, alguns minutos de conversa amiga, de atenção, é o que a pessoa mais necessita.

A verdadeira caridade envolve indistintamente a todos e é isenta de todo e qualquer preconceito.

Quando Jesus se referiu ao maior mandamento, asseverou que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

Assim sendo, o exercício da caridade se concretiza tanto através do pensamento, das palavras, como das ações.

Entregar mecanicamente um prato de sopa, dar um casaco, dispor de uns trocados, é útil e beneficia o necessitado.

Fazer caridade é algo mais. É dar de si, é doar-se! É envolver o atendido em carinho, em amor.

Quando ajudamos o caído a levantar-se, o idoso atravessar a rua, a criança a estancar o choro; quando dialogamos com o desesperado, orientamos o perdido, estamos praticando a caridade.

Até mesmo quando dizemos um bom dia cheio de alegria, doamos nossa disposição, que pode melhorar o dia do outro.

Real valor terá nossa caridade se a fizermos discretamente, evitando que seja vista ou propagada.

Dar-se, doar-se, simplesmente por amor ao próximo.

Redação do Momento Espírita.
Em 8.4.2017.

 

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