Momento Espírita
Curitiba, 21 de Setembro de 2017
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ícone O raio de sol e a palavra

Queria ser mais como o raio de sol, aquele primeiro feixe de uma manhã esperada por alguém que chorou a noite demorada, acreditando que ela não terminaria nunca.

Queria ser mais como o raio de sol de fim da tarde, que surpreende a nuvem densa, e se projeta sobre a cidade quase escura, dizendo: “Ainda estou aqui...”

Queria ser mais como o raio de sol que contorna o menino no parque, fazendo-o descobrir as formas de sua própria sombra na grama verde, como se fosse outro ser, fora dele...

Queria ser mais como o primeiro raio de sol depois de intensa tempestade: humilde, discreto, eficaz e útil.

Queria ser mais como o raio de sol que, após estar por algum tempo, ainda permanece, mesmo depois de ter ido, na forma de calor.

Queria ser mais como o raio de sol que passa por entre os prédios da metrópole, ousado, buscando frestas, reflexos, para alcançar finalmente o cidadão comum na rua, não fazendo distinção alguma.

Queria ser mais sol e menos sombra.

Mais raio e menos palavra.

*   *   *

Será que dentro de nós não existe uma vontade de fazer mais, de ser mais?

Por vezes, será que não sentimos falta de um significado maior em nosso viver?

Observamos as pessoas que se engajam em causas, que se dedicam ao próximo, que são ícones de uma determinada era e pensamos: Queria ser um pouco mais assim.

É uma força que grita dentro de nós pedindo algo. É nossa própria natureza amorosa dizendo a que veio...

O que nos falta, então?

O que nos falta para que sejamos menos discurso e mais ação? Menos opinião e mais abraço? Menos crítica e mais auxílio?

Estamos inundados de teoria. Muitos já nos mostraram os caminhos da ascensão, como alpinistas experientes que estão adiante e se sujeitam a voltar e mostrar as técnicas e trilhas possíveis para se subir em segurança.

Eles mostraram o que fazer, mostraram como e quando.

O que nos falta, então?

Falta-nos o impulso, o passo, o arrojo, a vontade bem direcionada.

Pequenas iniciativas, pequenos projetos, porém com continuidade, persistência e seriedade.

São micronúcleos de fraternidade, de civilização, que mudam uma nação inteira e, por sua vez, o mundo.

Não fiquemos congelados na postura de mero desejo. É preciso acionar a vontade.

A vontade é uma faculdade da alma, instrumento que coloca em movimento as nossas potências internas e as orienta para um ideal elevado.

Por intermédio dela mudamos a nossa natureza, vencemos todos os obstáculos, dominamos a matéria, a doença e a morte.

É ela que nos faz realizar as grandes coisas.

Realizemos, contribuamos, ajudemos.

Iniciemos algo novo ou nos engajemos em algo em que acreditemos. Não há mais tempo para permanecermos indiferentes. O mundo é nosso. Abracemo-lo.

*   *   *

Queria ser mais como o raio de sol que passa por entre os prédios da metrópole, ousado, buscando frestas, reflexos, para alcançar finalmente o cidadão comum na rua, não fazendo distinção alguma.

Queria ser mais sol e menos sombra.

Mais raio e menos palavra.

Redação do Momento Espírita, com base
no poema
Mais raio e menos palavra,
de Andrey Cechelero.
Em 10.5.2017.

 

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