Momento Espírita
Curitiba, 21 de Setembro de 2017
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ícone O mármore do sentimento e o cinzel da boa vontade

Conta-se que, nos primeiros dias do ano trinta, após algum tempo de meditação profunda no deserto da Judeia, Jesus foi visto em Jerusalém, próximo ao templo.

Sentado, como um peregrino, o Rabi foi notado por um grupo de sacerdotes, que se sentiram atraídos pelos Seus traços de formosa originalidade e pelo Seu olhar lúcido e profundo.

Alguns deles logo se afastaram, porém Hanan, que seria mais tarde o juiz inclemente de Sua causa, aproximou-se do desconhecido e disse com orgulho:

Galileu, que fazes na cidade?

Passo por Jerusalém, buscando a fundação do reino de Deus! Exclamou o Cristo, com modesta nobreza.

Reino de Deus? – Tornou o sacerdote com acentuada ironia. E que pensas seja isso?

Esse reino é a obra divina no coração dos homens! – Esclareceu Jesus, com grande serenidade.

Obra divina em tuas mãos? – Revidou Hanan, com uma gargalhada de desprezo. E continuou com várias observações irônicas.

Tu te propões realizar uma obra divina. Por acaso, já viste alguma estátua perfeita modelada em fragmentos de lama?

Sacerdote – replicou-lhe Jesus, com energia serena – nenhum mármore existe mais puro e mais formoso do que o do sentimento, e nenhum cinzel é superior ao da boa vontade sincera.

O sacerdote ainda se debateu entre um e outro aparte vaidoso, porém, acabou se retirando irritado, esbravejando.

O momento passou, o sacerdote passou... A lição, no entanto, permaneceu imortalizada. Jesus deixava claro, desde as primeiras pregações, qual era o reino que desejava construir.

Era Ele o escultor experiente que se sujeitara a nascer entre nós, os aprendizes das mãos, disposto a nos mostrar o caminho para aformosearmos nossas próprias almas, nossas obras maiores.

Era o professor e, ao mesmo tempo, a bela estátua, esculpida, tornada perfeita através das eras, através da lei do progresso.

O sentimento do homem era ainda o bloco bruto, duro, aguardando o melhor cinzel para começar a lhe revelar a bela imagem que carrega em seu interior.

Esse instrumento seria a boa vontade, que o Mestre usaria para esculpir e nos mostraria como utilizar essa poderosa ferramenta para nosso próprio aprimoramento.

Dentro da boa vontade está o trabalho, a dedicação, a persistência e o tempo. Tornar formosa a alma é ofício não apenas para uma vida.

*   *   *

O mármore do sentimento e o cinzel da boa vontade – lembremos disso.

Escultores milenares que somos, aprendizes do grande artífice que foi Jesus, estamos aqui para desenvolver os bons sentimentos.

Os sentimentos inferiores, aqueles que ainda nos fazem sofrer tanto, esses vão caindo no chão naturalmente, como as sobras do mármore que o cinzel vai retirando.

Boa vontade para conosco, paciência, persistência e seriedade na tarefa são fundamentais.

Boa vontade para com o próximo, benevolência, indulgência e perdão, completam nosso ferramental precioso para construir essa tão importante obra.

Somos a nossa maior obra. Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 3,
do livro
Boa Nova, pelo Espírito Humberto de Campos,
 psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 15.5.2017.

 

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