Momento Espírita
Curitiba, 22 de Novembro de 2017
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ícone Quando chega o outono

Quando chega o outono, as folhas das árvores mudam seus tons de verde para uma variedade de cores inigualável.

Se a primavera é uma explosão de flores e perfumes, a estação outonal é a dos coloridos mais exuberantes.

A impressão que se tem é de que algumas árvores disputam entre si qual se vestirá com a cor mais exótica. Olhamos para suas folhas e difícil nos é dizer qual a cor verdadeira, pois elas se mostram em tons que variam entre o laranja, amarelo e vermelho.

Algumas apresentam uma mistura de cobre e cinza, levando-nos a um quase êxtase ao contemplá-las.

E ficarão assim, trocando os tons, nos surpreendendo a cada dia, durante os meses em que se preparam para se vestir de inverno.

Outras simplesmente vão, paulatinamente, se jogando ao chão, uma a uma, como num desmaio constante, despindo os galhos e formando arabescos e tapetes pelas calçadas, praças e ruas.

Em nossas vidas, as estações também se apresentam. E no outono da idade alguns de nós optamos por desistir de viver.

Olhamos o rosto que apresenta as linhas modeladas pelo tempo e dizemos que estamos no fim da vida.

Passou a juventude. Passou o entusiasmo. Passou a alegria de viver. Os sonhos foram armazenados para sempre.

Por vezes, um tanto dramáticos, até acrescentamos: Agora, é só esperar a morte.

E se somos incentivados a aproveitar as horas de que dispomos, com leituras, estudo, algo que nos ilustre um tanto mais, invocamos os vacilos da memória, as dificuldades de guardar informações.

Um verdadeiro declínio. No entanto, deveríamos aprender com a natureza.

A primavera é a estação das flores, dos dias amenos, da profusão de frutos se esparramando pelos pomares.

No verão, as cores quentes se apresentam com todo o vigor. Os arbustos com sua perenidade se vestem de um verde mais intenso.

Nos canteiros, as flores se revezam em cores e perfumes.

E, quando chega o inverno, ela se deixa despir pelos ventos gélidos, pelas chuvas insistentes, pela geada que se estende branca e fria.

Parece adormecer. É uma espécie de reclusão para, logo mais, despertar gloriosa aos beijos da primavera que se permite reprisar em beleza e cores.

E a quadra do outono é exatamente aquela dos dias lentos, do sol que se apresenta morno e preguiçoso, das folhas que caem.

Poderíamos viver assim. Considerando a infância a primavera. Época de aproveitar todos os folguedos, os dias de despreocupação e abastança de horas.

Depois, na maturidade do verão, mostrarmos as nossas produções, assinalando nossa passagem pelo mundo.

E no outono, nos servirmos da oportunidade de demonstrarmos todas as nossas nuances, conquistadas ao longo das primeiras estações.

Demonstrar nossa habilidade como profissional, que atravessou os anos, esmerando-se na qualificação; como ser humano que vivenciou dias conturbados, experimentou a alegria e a tristeza, presenciou o progresso chegar e precisou se adequar.

Demonstrar nossa qualidade de amante das coisas belas, que se debruça nas horas para contemplar os dias de luz.

Pensemos nisso e vivamos melhor essa quadra outonal que nos chega, às vezes, com algumas limitações, mas, com certeza, cheia de oportunidades de usufruir cada hora, em totalidade.

Utilizemos de forma sábia o tempo que tenhamos, convivendo com a família mais estreitamente, compartilhando as conquistas realizadas.

Redação do Momento Espírita.
Em 30.6.2017.

 

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