Momento Espírita
Curitiba, 18 de Dezembro de 2017
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ícone A fria noite da saudade

Eles cresceram habituados aos holofotes, à acirrada vigilância de fotógrafos e repórteres, sempre a postos para captar uma cena inusitada.

E tudo virava notícia: um deles, criança, demonstrando cansaço em determinada cerimônia ou um pequeno gesto de enfado, até os abraços carinhosos da mãe.

Da mãe, eles recordam com especial carinho. Lembram-se de sua ternura para com eles, de como se tornava criança para desfrutar das suas brincadeiras e da sua risada espontânea.

Uma mulher que parecia ter surgido de um conto de fadas. Uma mulher que o mundo postou com uma auréola. Uma mulher que se serviu de sua posição, de sua condição real para ajudar a muitas pessoas.

Falamos dos príncipes William e Harry, e da princesa de Gales, Diana, que desencarnou em 1997.

Adultos, eles recordam dos dias felizes passados com ela, também da tristeza que os abateu, quando da separação dos pais.

Lembram de como passaram a ir de um lado a outro, ora desfrutando da companhia do pai, ora da companhia da mãe.

A mãe que, embora distante, não deixava de lhes telefonar, de lhes mandar cartões, sempre descontraídos, alegres.

Recordam, especialmente, que estavam em férias em Balmoral, num dia alegre de convívio com os primos, quando foram chamados para atender a um telefonema.

Era Diana a lhes dizer das suas saudades, a lhes indagar de como estavam, o que faziam. Coisas próprias de mãe.

Ambos, no entanto, estavam ansiosos por retornarem às brincadeiras e atenderam ao telefonema com certa indiferença.

Mal sabiam eles que seria a última vez que ouviriam a voz de sua mãe. Sim, porque naquele 31 de agosto, ela morreu, em Paris, de forma trágica.

William tinha quinze anos e Harry doze. Ficaram estarrecidos ao observarem aquele verdadeiro mar de flores, deixados na residência londrina da princesa, o palácio de Kensington.

Harry se perguntava: Como essas pessoas, que não conheceram minha mãe, podem chorar e estarem mais tristes do que eu?

Somente o tempo o faria se dar conta do que acontecera: não teria mais os abraços dela, nem seus beijos, nem sua ternura para confortar e alegrar a sua vida.

Ela se fora para um outro mundo, para outra realidade.

E o que ficou foi somente saudade. Uma imensa e dolorida saudade.

Ambos, relembrando aquele telefonema derradeiro, lamentam: Se soubéssemos que aquela seria a última vez, teríamos alongado muito a conversa...

*   *   *

De um modo geral, somos assim. Enquanto estamos ao lado dos que amamos, enquanto lhes desfrutamos da companhia, do riso, da palavra, todos os dias, tudo nos parece natural, normal, eterno.

Esquecemos de que tudo nesta vida é transitório. Inclusive a presença dos nossos amores. De repente, eles podem dizer adeus e embarcar para a viagem de retorno ao lar verdadeiro, a Espiritualidade.

Por isso, vivamos intensamente ao lado deles. Desfrutemos de cada momento. Não percamos oportunidade de lhes dizer que os amamos. E os abracemos, beijemos, aconcheguemos junto ao peito.

Então, quando eles se forem, teremos muitas e ternas lembranças para aquecer a fria noite da nossa saudade.

Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita.
Em 4.12.2017.

 

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