Momento Espírita
Curitiba, 21 de Maio de 2018
busca   
no título  |  no texto   
ícone Lavar a alma

Naquela manhã, a caminho do trabalho, Marcela ouviu uma conversa no ônibus: Eu disse a ela tudo o que estava entalado na minha garganta. Não tive compaixão.

E como foi que ela reagiu?

Ficou chorando, pedindo desculpas, mas eu não perdoei. Lavei a alma.

Marcela se recordou de uma briga que tivera com a irmã, há alguns anos. E de como dissera palavras duras e pesadas.

Ao ser confrontada pela avó, dissera essa mesma frase que acabara de ouvir: Lavei a alma!

Recorda que a avó perguntara o que significava lavar a alma.

Ora, é botar pra fora tudo o que incomoda.

Entendi. – Falara a sábia senhora. Então, seu coração deve ter ficado em paz depois de ter dito coisas tão duras. A raiva passou e você e sua irmã ficaram bem, certo?

Na verdade, não. Ainda estou magoada e continuamos brigadas. Mas eu disse tudo o que estava entalado.

Quer dizer que você lavou a alma mas não perdoou.

Não perdoei, nem esqueci.

Então você não lavou a alma, minha menina. Quando lavamos algo, como uma roupa, por exemplo, tiramos dela toda a sujeira. Quando nos propomos a lavar a alma é para tirar dela tudo o que nos faz mal: raiva, rancor, mágoa, orgulho, egoísmo.

E somente conseguimos isso quando compreendemos o outro, quando conseguimos não nos sentir afetados pelo mal recebido e perdoamos.

Marcela tivera um choque ao ouvir aquelas palavras. Nunca havia pensado no termo lavar a alma sob aquela perspectiva.

*   *   *

Há uma ideia muito antiga que diz que devemos reagir, rebater as ofensas, pagar na mesma moeda. Isso ainda é resquício do olho por olho, dente por dente, praticado nos tempos de Moisés.

O Mestre Jesus, contudo, ensinou: Tendes ouvido o que se disse: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas se alguém vos ferir na face direita, oferecei-lhe também a outra.

Nesta exortação reside a chave para compreender e praticar o perdão.

O que nos move a revidar uma ofensa geralmente é nosso orgulho ferido. Não conseguimos perceber que quem ofende muitas vezes se encontra doente, precisando de ajuda.

Ao devolvermos a injúria, alimentamos sentimentos e energias ruins em ambos os lados.

Perdoar uma ofensa exige coragem e integridade, ainda mal compreendidas pelos que nos deixamos arrastar pelo orgulho e pelo egoísmo.

Uma alma lavada é uma alma livre de sentimentos negativos.

Mas... como se limpa a alma?

O segredo está em amar o próximo como a nós mesmos. Ver em quem nos magoa um irmão carente de amor tanto quanto nós.

Lavar a alma de sentimentos negativos implica no maior ato de coragem de todos, que é deixar de nos colocarmos em primeiro lugar para compreender o que está provocando a atitude do outro.

É fazer por ele o que gostaríamos que fizessem a nós, quando também nos sentirmos magoados e feridos.

É compreender e ajudar.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XII,
itens 7 e 8  de
O Evangelho segundo o Espiritismo, de
Allan Kardec, ed. FEB.
Em 5.2.2018.

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2018 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998