Momento Espírita
Curitiba, 14 de Agosto de 2020
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ícone Façamos a travessia

O cárcere fora construído em pedra nua, nos arredores de Jerusalém. Nele, os soldados O aprisionaram.

Ela passara a noite nas proximidades, aguardando o desenrolar dos trágicos acontecimentos.

Na madrugada sem fim, lembrou-se das palavras ouvidas, em casa de Simão, após banhar os pés do Mestre com suas lágrimas: Mulher, porque muito amaste, todos os teus pecados foram perdoados.

O alvorecer dirimiu suas recordações, com a movimentação inusitada dos legionários.

Depois, ela O viu ser conduzido ao palácio do procurador romano, Pôncio Pilatos, onde o julgamento se consumou, arbitrário e sem nexo algum. Para o Rabi, foi destinada a morte na cruz.

Quando o pesado madeiro assentou-se nas costas laceradas de Jesus, uma dor aguda tomou o coração de Maria, a arrependida de Magdala.

Ela, junto de Maria de Nazaré, O acompanhou ao longo da distância que separa a cidade de Jerusalém do Gólgota, o monte da crucificação.

Seguiam-nO ainda, João, o discípulo mais jovem, algumas mulheres e transeuntes curiosos.

Mas, em Sua lenta agonia, Ele marchava só. E Maria Madalena pôs-se a refletir:

Há menos de uma semana, recebido com alegria por inúmeras pessoas que lançavam flores e palmas em Seu caminho, o Mestre entrara pela porta principal de Jerusalém.

Os homens retiravam seus mantos e os estendiam no chão, à guisa de tapetes para que Jesus passasse. As mães mostravam seus filhos para que Ele os abençoasse.

As vozes se erguiam cantando hosanas ao Filho de Davi.

Onde estavam essas pessoas agora? Onde estavam Pedro, Thiago, André, Filipe? Onde estavam os amigos?

Onde estavam os cegos aos quais Ele restaurara a visão? Os surdos para os quais Ele devolvera a audição dos sons da natureza? Os endemoniados que Ele libertara da loucura?

Acompanhando os dolorosos passos de Jesus, Maria teve uma súbita compreensão:

Ao entrar em Jerusalém, não fora Ele quem pisara nas flores, nas palmas, nos mantos estendidos. Fora o animal no qual Ele estava montado naquela ocasião.

Ela compreendeu que, naquele instante, Jesus revelava-se verdadeira ponte entre a criatura humana, ainda imperfeita, e o Criador, Pai de todos nós.

Com lágrimas lhe umedecendo os olhos, lembrou-se das palavras dEle, que nunca antes lhe haviam soado tão significativas e reveladoras: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai, senão por mim.

*   *  *

Por um instante, silenciemos nossas emoções e pensamentos. Voltemos os olhos a Jesus.

Sintamos as Suas mãos envolvendo as nossas. Como Bom Pastor, Ele nos chama pelo nome.

Guiados pelas pegadas que Ele registrou em nossos caminhos, tornemos seguros os nossos passos. Realizemos o esforço para iniciar o abandono do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da arrogância, da avareza.

Envoltos pela luz do Mestre, que nosso caminhar nos conduza ao amor, ao perdão, à caridade, à gentileza, à fraternidade, à fé.

Jesus é a ponte, o caminho e o guia. Tenhamos coragem! Façamos a travessia da nossa pobre condição humana para a angelitude!

Redação do Momento Espírita.
Em 21.4.2018.

 

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