Momento Espírita
Curitiba, 21 de Setembro de 2020
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Aquela moça se surpreendeu quando o senhor a chamou, em plena rua, a menos de uma quadra do ponto de ônibus. Ele perguntou se ela iria naquela direção.

Ela balançou a cabeça afirmativamente.

Então ele, ansioso, falou que queria lhe pedir um grande favor.

O meu filho está lá naquele ponto de ônibus vendendo salgadinhos. Eu gostaria que você pegasse este dinheiro e comprasse alguns.

Se não quiser comer, pode dar para alguém.

Ante o olhar curioso da jovem, ele explicou sob forte emoção:

Sabe, ele ficou quatro anos preso e hoje é seu primeiro dia de liberdade.

Saiu para vender salgados e tentar um novo tipo de vida. Quero estimulá-lo para que ele permaneça na honestidade e nos bons propósitos.

Ela ficou meio sem jeito. Mas, pegou o dinheiro e chegando próxima ao rapaz comprou dois salgados.

Ele ficou animado, ela lhe percebeu a felicidade.

De longe, ela buscou com o olhar o pai dele, mas não o viu. Pensou que talvez tivesse se distanciado um tanto mais e, quem sabe, estaria formulando o mesmo pedido, a outros passantes.

Enquanto seguia ao trabalho, na condução, ficou pensando para quantas pessoas terá esse pai pedido ajuda para incentivar o filho a olhar o mundo com confiança.

E concluiu que, realmente, não existem barreiras para se expressar o amor.

Somente quem vivencia determinadas realidades na vida pode registrar a profundidade do seu significado e o quanto pode ser feito em entrega pessoal para auxiliar e recuperar.

Ter um ente querido sendo levado a ajustar contas com a sociedade é situação que ninguém quer vivenciar.

As lágrimas, as orações, os pedidos constantes ao Pai Celestial para que a força e a coragem não o abandonem, bem como a toda a família, são repetitivas.

As noites insones, os pesadelos que se repetem, as dificuldades que pressionam nos fazem muitas vezes pensar que não haverá solução.

Felizes aqueles que têm o porto seguro da fé em Deus, da confiança em um futuro melhor, e lutam para atingir seu objetivo.

*   *   *

Nossos filhos são Espíritos que Deus nos empresta para que com nossa orientação e amor possam vencer as lutas na Terra e alcançar o seu progresso espiritual.

São almas com as quais muitas vezes tivemos contatos anteriores e que esperam de nós, seus pais, o amparo e a dedicação que precisam no enfrentamento de seus deslizes morais.

Quantos pais e mães se entregam em totalidade, até mesmo com sacrifícios imensos, para que seus rebentos aprendam os valores reais da vida.

Quantos pais estarão nas esquinas observando o comportamento de seus filhos e minimizando suas frustações!

Quantas mães se esquecem de si mesmas continuando a enriquecer de nobreza o coração das filhas que se desviaram do caminho reto.

Quantas avós que, depois de terem cuidado de seus filhos, prosseguem lutando duplamente pelos netos.

Nem sempre os que observamos de fora, de longe, entendemos a renúncia, a dedicação, os objetivos que pretendem.

Muito importante que não julguemos com frieza e com desconhecimento.

Pensemos nisso. O amor tem razões que a própria razão desconhece.

Redação do Momento Espírita,
com base em relato anônimo.
Em 23.3.2019.

 

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