Momento Espírita
Curitiba, 26 de Setembro de 2020
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ícone Caridade para com os inimigos

Por que caridade para com alguém que agiu tão mal? Que despedaçou vidas, que trouxe profunda infelicidade para tanta gente?

Talvez estes sejam os pensamentos da maioria de nós, quando somos convidados a agir com benevolência para com esses que vilipendiam o mundo com seus gestos de maldade.

Por que ser bom com quem não foi? Por que agir bem com quem nos feriu?

Até hoje essas ideias não encontram eco em nossas almas. Vimos de tempos do olho por olho, de tempos de pagar o bem com o bem e o mal com mal. São milênios de primitivismo falando em nosso íntimo.

Compreensível que tenhamos ainda tanta dificuldade em assimilar ideias e propostas diferentes dessas.

No entanto, é preciso amadurecer. Nossa inteligência já é capaz de ligações, de entendimentos, que antes não nos eram possíveis.

Jesus foi o primeiro a revolver a intimidade humana propondo um tratamento diferente aos considerados maus.

Primeiro mostrando que todos trazemos dificuldades, que caímos e ainda podemos cair. Evidenciando que o mal é doença que pode alcançar a todos.

Por isso alertou sobre os julgamentos: Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra.

Propôs o perdão das ofensas para nos livrarmos do ódio que consome primeiramente a quem o traz na alma.

Por fim, propondo o amor aos inimigos, talvez o ensinamento mais difícil de vivenciarmos. Algo fora da realidade de nosso planeta.

Como amar alguém que não suportamos nem ver, que nos causa mal, que nos prejudica?

Bem, precisamos utilizar a inteligência e entender o espírito por trás da letra: Não pretendeu Jesus, assim falando, que cada um de nós tenha para seu inimigo a mesma ternura que dispensamos a um amigo ou um irmão.

Ternura pressupõe confiança. Ora, ninguém pode depositar confiança numa pessoa sabendo que esta lhe quer mal.

Ainda há a questão de afinidade e de vínculo, por vezes impossível.

A pobreza de nossa linguagem obriga que nos sirvamos do mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento. A razão, então, estabelecerá as diferenças.

Amar aos inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contato de um inimigo nos faz bater o coração diferente.

Amar aos inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejo de vingança. É perdoar-lhes sem pensamento oculto e condições, o mal que nos causaram.

É também não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles. É desejar-lhes o bem e não o mal. É experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que os alcance.

Por fim, é socorrê-los, em se apresentando ocasião e retribuir o mal com o bem, sem a intenção de humilhar.

*   *   *

O amor aos inimigos parece distante de nossas possibilidades. Se impossível fosse, porém, Jesus, o Modelo e Guia da Humanidade, não o teria proposto com tanta objetividade.

Tudo que temos a fazer é dar um passo de cada vez. Hoje é o evitar a vingança. Amanhã, deixar de odiar. Mais tarde, até desejar o bem e, quem sabe, poder ajudar.

Dessa forma, estaremos seguindo rumo a essa nuance de amor  tão diferente e rara ainda na Terra.

 

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XII, item 3,
do livro
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec,
ed. FEB.
Em 22.8.2019.

 

 

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