Momento Espírita
Curitiba, 23 de Setembro de 2020
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ícone Jesus, doce Senhor

Lembro-me de um dia, distante. Cheguei em casa e encontrei muita gente ao redor de minha mãe que chorava.

Estranhando aquele movimento, perguntei ao meu irmão o que estava acontecendo. Soube então que meu pai havia passado mal, e se encontrava no hospital.

Chocado com a notícia, corri para o meu quarto. Sentei-me na cama, entristecido, sentindo-me impotente para fazer qualquer coisa.

Antecipando os dias, já me vi sozinho, sem o calor da presença de meu pai, sem seu carinho. Pareceu-me mergulhar num grande vazio.

Meus olhos pousaram no livro de cabeceira: O evangelho segundo o Espiritismo. Presente de meu pai.

Que lição poderia eu absorver dali, naquele momento? Que consolo me poderia trazer ao coração?

Abri-o e comecei a ler a respeito de Jesus, o convite para segui-lO. O fardo suave. O jugo leve.

Fui absorvendo as palavras e tentando compreender o seu sentido profundo e consolador.

Em minha mente e em meu coração formaram-se imagens de Jesus, que veio ensinar aos homens a respeito do Deus Pai, que ama a todas as suas criaturas.

Jesus que nos disse que todos os sofrimentos, misérias, decepções, perdas de seres amados encontram consolação quando temos fé no futuro.

Então, visualizei um futuro além da Terra, e percebi que continuamos todos na lida em busca do progresso.

O que mais me acariciou a alma, naqueles momentos, foi quando li que Jesus nos convidava para caminharmos juntos, que Ele nos aliviaria.

Esclarecia sobre seu jugo e oferecia seus ensinamentos de brandura e de humildade.

Chorei silenciosamente, com o coração confiante, agora.

Tive vontade de orar, de fazer essa prece que brota da intimidade com todo fervor:

Doce Senhor, és o companheiro de nossas almas, o bálsamo vivo que acalma o coração sofredor.

És a esperança dos que vivem, dos que buscam, dos que sofrem, dos que choram e padecem.

Jesus, és luz divina todo dia, és paz maior que se irradia pelo mundo atormentado.

És a certeza do incerto, a virtude e a verdade, a alegria e a bondade.

Por isso te peço Amigo querido, abençoa este mundo sofrido, tornando-o mais belo e mais iluminado.

Que a Tua paz envolva o sofredor, acolhendo-o com ternura, inundando-o de amor.

Dá-me forças, meu Pastor, para poder com confiança, ser a fortaleza de que necessita minha mãe, neste momento.

Que no abraço que vou agora lhe dar, Teu amor se faça presente, entregando a ela a força de que necessita para este momento.

Agradecido e confiante, fui para junto dela, segurei suas mãos entre as minhas, olhei profundamente em seus olhos.

Quase não nos enxergávamos, pois tanto ela quanto eu, tínhamos os olhos marejados de lágrimas.

Abracei-a, com o pensamento no Mestre de nossas almas, apertei-a carinhosamente em meus braços e deixei que nossos corações se fundissem.

Ela se deixou ficar.

Quando, devagarinho, nos separamos, ela me olhou e sorriu, de forma tímida.

Eu lhe disse: Tenhamos confiança em Deus, minha mãe! Jesus nos sustentará agora e sempre.

Estejamos com Ele, pois Seu fardo é leve e Seu jugo é suave!

Redação do Momento Espírita, com base no cap.
VI de
O Evangelho segundo o Espiritismo,
de Allan Kardec, ed. FEB.
Em 7.12.2019.

 

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