Momento Espírita
Curitiba, 29 de Março de 2020
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ícone Volte, mamãe!

Querida mãezinha.

Sei que estou em outra vida, mas não muito distante.

Muita gente pensa que a pessoa sai da Terra e esquece tudo. Mas não é assim.

Desde que a tia Irma me trouxe para onde estou, não esqueço de você nem do papai.

Moro num parque com uma escola e muitas flores. Tenho muitos companheiros mas você está sempre em minha lembrança.

Senti tantas saudades que a tia Irma já me levou duas vezes para nosso encontro e me conduziu também até a nossa casa para ver o papai.

Mamãe, beijei e abracei a você tanto, mas você não me viu.

Notei seu rosto triste e cansado.

E quando, à noite, vi o papai, sozinho, pensando em nós, em nossa casa tão grande, chorei muito.

Volte, mamãe!

Por que não podemos viver juntos?

Em nossa casa, tudo está na mesma. As xícaras que você gosta estão guardadas no armário. Nas paredes do quarto grande estão os seus quadros preferidos.

Só encontrei uma diferença.

Parece que a casa está doente, com muito frio. E aquela jarra da sala, em que você colocava flores, está vazia e atirada num canto.

Pode crer que o papai está muito triste sem você.

Volte, mamãe!

Penso que Deus nos reuniu para vivermos juntos.

Hoje acho que o céu é a felicidade de estarmos mais perto uns dos outros.

Volte, volte para nós.

Vou dizer uma coisa que a tia Irma me contou em segredo. Ela disse que, quando você voltar para nós, eu vou ser seu filho outra vez.

Volte, mamãe!

Muitos beijos e muitas saudades do seu Betinho.

*   *   *

Este é um comovente apelo de um garotinho que passou para o outro lado da vida, para sua mãe que abandonou o lar.

Muitos de nós pensamos que os afetos que ultrapassam a aduana do túmulo se apagam para sempre. Mas essa não é a realidade.

Os seres amados seguem vivendo. E com mais razão buscam nos lembrar dos verdadeiros valores da vida, desde que ela prossegue além do véu da chamada morte.

Se estamos vivendo uma situação difícil, se estamos cogitando em abandonar o lar, os familiares, paremos e pensemos um pouco.

Será que vale a pena? Será que os nossos motivos são mais fortes do que a dor que a separação causará aos afetos?

Acaso não estará falando mais alto, em nós, o egoísmo, que nos faz desejar nos livrarmos dos problemas familiares?

Importante termos em mente que a dor que impusermos aos outros voltará para nós em algum momento.

Da mesma forma que as alegrias, a dedicação e o carinho que dispensarmos aos outros nos plenificarão o coração, desde agora.

É da lei que se chama ação e reação. Causa e efeito.

*   *   *

Muitas vezes os Espíritos superiores permitem que nossos afetos escrevam ou falem conosco através do correio da mediunidade.

Ou nos buscarem nas horas do sono. Quando o corpo repousa, o Espírito se liberta, e, nesses momentos, entramos em contato com os que partiram.

Registramos isso como sonhos. Ao despertarmos diremos que sonhamos com Fulano ou Beltrano. O conforto que estará em nossos corações nos dirá que, em verdade, tivemos um encontro com eles.

Um encontro para diminuir a intensidade da saudade, para ouvirmos uns aos outros.

 

Redação do Momento Espírita, com base em mensagem do Espírito Betinho,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, em reunião pública do
Grupo Espírita da Prece, na noite de 6.3.1976, em Uberaba/MG.
Em 19.2.2020.

 

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