Momento Espírita
Curitiba, 14 de Julho de 2020
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ícone Pequenos mimos de lã

Ela fora passar o dia no hospital, com a nora, que sofrera um acidente e quebrara o pé.

Estava penalizada com a situação da jovem tão ativa, que trabalha, estuda, cuida de seu lar, agora com tantos apetrechos no pé suspenso, sem saber o tempo que precisaria para tornar a andar.

Envolvia-se nesses pensamentos de pesar, ali, ao lado da cama, sem saber mesmo o que dizer, o que falar.

Em dado momento, percebeu outra senhora, na mesma enfermaria, que fazia companhia a uma idosa bastante debilitada.

Iniciaram um diálogo, enquanto ela observava os gestos rápidos daquela acompanhante, confeccionando pequenos bonequinhos de lã.

Ficou sabendo que eram mimos que a artesã criara para presentear as pessoas que passassem pelas enfermarias, enquanto ela ali estivesse.

Este aqui, disse mostrando o que tinha em mãos, é para esta moça bonita não se sentir tão triste.

Vou confeccionando-os e colocando neles carinho, desejo de recuperação e alegria para quem os recebe.

No diálogo que prosseguiu, aquela mulher encantadora disse que, embora ganhasse bom salário como cuidadora de idosos, ali estava em voluntariado.

Tratava-se de uma vizinha, que vivia só com seu companheiro, portador de um câncer terminal que o consumia dia após dia.

Sem ter quem os socorresse, passara a assisti-los. Agora, que a idosa precisara ser internada, ela acionara outra voluntária para atender o marido, em casa, enquanto ela ficasse no hospital, como acompanhante.

As palavras eram sinceras, brotavam cheias de ternura, emocionando.

Tão absorta estava a visitante, que demorou um pouco para perceber que o mimo de lã, recém feito, fora transferido das mãos da doadora para as mãos da sua nora.

Um pequeno mimo, cheio de boas e sinceras vibrações. Recheado de amor.

*   *   *

Quantas almas de anjos se encontram na Terra espalhando seu carinho e amor para as pessoas, através de pequenos gestos envoltos em energias e fluidos salutares.

Em vestes ricas, em vestimentas simples, homens e mulheres, de diferentes cores, classes sociais, etnias e crenças.

Filhos de um único Pai de Amor e Justiça infinitos, eles atendem ao que espera a Bondade de Deus através de cada um de nós.

Benditas sejam essas criaturas que se esquecem dos ganhos materiais passageiros e recolhem a gratidão dos que recebem seus cuidados.

Benditas sejam as almas que se dispõem a doar o amor e o carinho que todos merecemos, independente de posição e condição material.

Benditas sejam as mãos que, mesmo cansadas, ainda sentem disposição para presentear as criaturas que sofrem ao seu redor.

Mãos delicadas ou grosseiras, que criam mimos para aquecer os corações, fazer brotar um sorriso na face onde o rio das lágrimas era constante.

Benditos os corações que se desdobram em atendimento ao semelhante. Benditos os olhos de ver, que descobrem o sofrimento alheio e se dispõem ao socorro.

Benditos os que trabalham no sentido de fazer de nossa Terra um planeta de luz e de amor para todos os viventes.

Dignos filhos do Pai Celeste, imitemo-los.

Redação do Momento Espírita.
Em 6.6.2020.

 

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