Momento Espírita
Curitiba, 27 de Setembro de 2020
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ícone Há flores no outono

A primavera é a estação das flores, do renascimento, da renovação. Tudo volta a desabrochar após o frio inverno.

Certamente já ouvimos alguma dessas expressões.

Também ouvimos que o outono é a estação das folhas que caem, deixando as árvores quase desnudas, preparando-se para a temporada invernal que logo chegará.

As verdes folhas como que desaparecem. Em muitos casos mudam de cor antes de pousarem no chão.

O frio dá os primeiros sinais, como que nos preparando para uma experiência difícil que virá adiante.

Outono é sinônimo de nostalgia, de recolhimento, de vento que despedaça ou desfolha.

No entanto, talvez essas sejam impressões apressadas, dos que olhamos apenas a superfície ou aceitamos facilmente os rótulos limitadores.

Olhemos com atenção para o outono e veremos que a estação é repleta de cores, de júbilos. Também de flores.

Sim, há flores no outono, flores que persistem ou mesmo que nascem apenas nessa época.

O tempo seco, os dias de sol resplandecente, permitem que encontremos na natureza diversas cores pintando a tela fria dos dias.

Dizer que no outono, ou mesmo no inverno, não há flores, é julgamento precipitado, de quem não tem olhos de ver.

Percebamos as flores das estações frias.

Notemos, mesmo nos dias penosos, o desabrochar de tantas oportunidades, de tantas florescências que insistem em resistir aos ventos gelados das estações.

Deus nunca nos deixa sem jardins, nunca nos deixa sem cores.

Se algumas árvores se despedaçam, se desfolham à nossa frente, logo ali adiante, outras se pintam de mil tons para nos encantar.

*   *   *

Próximo a uma situação dolorosa podemos encontrar oportunidades de crescimento.

Por vezes, no mesmo jardim das flores despetaladas pelas rajadas frias da vida, encontramos outras que insistem, que estão preparadas para as ventanias, e que sabem florir mesmo assim.

Não aceitemos a dor como castigo, desprendamo-nos desse conceito arcaico que tanto tem nos assustado e imobilizado diante das provas da existência.

A dor é lição, é aprendizado, é remédio para esta ou aquela área da alma que ainda precisa de atenção, precisa ser curada.

Notemos, no entanto, que junto do remédio amargo, sempre há um afago, um consolo, um gesto de carinho do médico que nos cuidou. É assim que funciona no reino de amor de nosso Criador.

Um Pai cuidadoso, que através de Sua Providência não nos deixa sós, não nos deixa sem flores nas estações congelantes.

Confiemos, porfiemos, e não deixemos de notar as florescências tão belas que a natureza tem a oferecer todos os dias.

Se tivermos olhos de ver, perceberemos que, ao lado de uma árvore que perde as folhas, há uma outra sorrindo em flores para nós.

*   *   *

As flores do outono nasceram para resistir ao vento que as castigam.

As flores do outono suportam a estiagem e a falta de atenção.

As flores do outono nos ensinam a viver, a suportar, e apesar de tudo, florescer.

 

Redação do Momento Espírita
Em 12.8.2020.

 

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