Momento Espírita
Curitiba, 11 de Janeiro de 2026
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ícone Quando eu morrer

Vez ou outra acontece. Lembramos que um dia abandonaremos o corpo de carne e partiremos para outra realidade.

É nesses momentos que recordamos de elaborar testamento, repartindo o que vamos deixar, entre aqueles que ficarão.

As vontades assim expressas quase sempre criam disputas familiares, que chegam a se prolongar por anos.

Quanto maiores forem as posses daquele que se foi, a tendência é aumentar a disputa se, entre os contemplados, não existe entendimento, afeto.

Houve um homem, no entanto, que, pensando em sua morte, elaborou vontades muito precisas.

Pensou em seu funeral e o que ele poderia significar para o mundo.

Ele era um líder e dizia que não desejava ser idolatrado, mas sim ouvido. Então, disse aos seus seguidores:

Frequentemente, eu penso naquilo que é denominador comum e derradeiro da vida: nessa alguma coisa que costumamos chamar de "morte".

Penso em minha própria morte e em meu funeral, mas não em sentido angustiante.

Pergunto a mim mesmo o que gostaria que fosse dito então.

Se vocês estiverem ao meu lado, quando eu encontrar meu dia, lembrem-se de que não quero um longo funeral.

E, se conseguirem alguém para fazer o "discurso fúnebre", digam-lhe para não falar muito.

Digam-lhe para não mencionar que eu tenho um Prêmio Nobel da Paz: isso não é importante!

Digam-lhe para não mencionar que eu tenho trezentos ou quatrocentos prêmios: isso não é importante!

Eu gostaria de que alguém mencionasse aquele dia em que Martin Luther King tentou dar a vida a serviço dos outros.

Eu gostaria que alguém mencionasse o dia em que Martin Luther King tentou amar alguém.

Quero que digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo.

Quero que vocês possam mencionar o dia em que tentei vestir o mendigo, tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a Humanidade.

Se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto: um arauto da justiça, um arauto da paz, um arauto do direito.

Todas as outras coisas triviais não têm importância. Não quero deixar atrás nenhum dinheiro.

Eu só quero deixar uma vida de dedicação! E isto é tudo o que eu tenho a dizer:

Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante

Se eu puder animar alguém com uma canção

Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo

Se eu puder cumprir meu dever cristão

Se eu puder levar a salvação para alguém

Se eu puder divulgar a mensagem que o senhor deixou...

Então, minha vida não terá sido em vão.

*

Martin Luther King Junior lutou pelos direitos dos negros nos Estados Unidos.

Foi Prêmio Nobel da Paz em 1964.

Dizia que a resposta ao ódio deveria ser o amor.

Em seu túmulo, está a prova de que tinha convicção da vida além desta vida.

O epitáfio diz: Enfim livre, enfim livre!

Graças a Deus Todo-Poderoso sou finalmente livre!

Foram palavras semelhantes àquelas com as quais concluiu o seu mais famoso discurso: Eu tenho um sonho, em que traduziu o ideal da liberdade e da igualdade entre todos os homens.

Oxalá muitos de nós possamos ter essas ideias lúcidas a respeito da vida e da morte.

Nesse dia, o mundo será muito melhor.

Redação do Momento Espírita, com base
no discurso de Martin Luther King Junior:
 
Quando eu morrer.
Em 10.1.2026

 

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