Momento Espírita
Curitiba, 17 de Junho de 2024
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ícone O filho

Um homem muito rico e seu filho tinham grande paixão pela arte. Possuíam valiosa coleção.

Quando o conflito do Vietnã surgiu, o filho foi convocado.

Durante uma batalha, ao resgatar um companheiro ferido, ele foi morto.

O pai sofreu profundamente.

Um mês mais tarde, um jovem veio à sua casa, com um enorme pacote nas mãos e falou:

Eu sou o soldado pelo qual seu filho deu a vida. Salvou muitas vidas naquele dia e estava me levando a um lugar seguro, quando uma bala o atingiu no peito e ele morreu.

Ele me falava do seu amor pela arte. Por isso, eu gostaria que o senhor aceitasse este presente.

Não sou um grande artista, mas acredito que seu filho gostaria se o senhor o recebesse.

O pai abriu o pacote e admirou a maneira como o soldado tinha retratado a personalidade do seu filho na pintura.

Agradeceu ao soldado e se ofereceu para lhe pagar pelo quadro.

Não, falou o rapaz. Eu nunca poderia pagar pelo que seu filho fez por mim. É um presente. Aceite-o, com a minha gratidão.

O pai pendurou o quadro acima da lareira e, cada vez que visitantes e convidados chegavam à sua casa ele lhes mostrava o retrato do filho, antes de sua famosa galeria.

Quando aquele pai morreu, realizou-se um leilão em sua propriedade.

Eram grandes as expectativas.

Iniciando, o leiloeiro bateu o seu martelo e falou: Começaremos o leilão com este retrato do seu filho. Quem fará a primeira oferta?

Fez-se um grande silêncio. Alguém gritou:

Queremos ver as pinturas famosas!

O leiloeiro insistiu:

Alguém oferece algo por esta pintura? Cem mil dólares? Duzentos mil dólares?

Outra voz gritou com raiva: Não viemos aqui por esta pintura! Viemos para ver as de Van Gogh, Rembrandt, Rafael, Picasso...

Ainda assim, o leiloeiro continuou: O filho, quem vai levar "O filho"?!

Finalmente, uma voz se fez ouvir: Eu dou dez dólares!

Era o velho jardineiro da casa. Era só o que podia oferecer.

Temos dez dólares. Quem dá vinte? Gritou o leiloeiro.

E outra reclamação soou: Mostra-nos de uma vez as obras de arte!

Dez dólares pela oferta! Alguém oferta vinte?

Os presentes estavam inquietos. Todos queriam os quadros famosos para suas próprias coleções.

Por fim, o leiloeiro bateu o martelo e sinalizou a efetivação da venda do quadro por dez dólares!

Alguém exclamou, feliz: Até que enfim. Vamos à coleção!

Para surpresa geral, o leiloeiro soltou o martelo e disse: O leilão chegou ao fim. Quando me chamaram para dirigir este leilão, foi-me falado de uma condição estipulada no testamento do dono da coleção.

Eu não estava autorizado a revelar até ser efetivada a venda do primeiro quadro.

Saibam que somente a pintura do filho seria leiloada. Aquele que a adquirisse herdaria todos os bens do falecido, incluindo sua coleção de obras de arte.

Assim, o homem que ficou com o retrato do filho herdou tudo.

*   *   *

Não há bem mais valioso para o coração de um pai do que a preciosidade de um filho.

O verdadeiro afeto se constitui num dos mais valiosos e duradouros patrimônios da alma.

 Redação do Momento Espírita, com base
 em conto de autoria ignorada.
Em 16.3.2022

 

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