Jesus, ao se aproximar o momento de Seu martírio, teve longas conversas, nas quais instruiu Seus discípulos a respeito dos tempos vindouros.
Em dado momento, afirmou:
Todavia, digo-vos a verdade: a vós convém que eu vá.
Semelhante declaração do Mestre é rica de significados.
Ninguém como Ele soube amar tanto e tão bem.
Contudo, afirmou que Sua partida seria conveniente, em favor mesmo de toda a Humanidade.
Que teria acontecido se Jesus ficasse por largo tempo entre os homens?
Provavelmente, as multidões terrestres teriam acentuado as tendências egoístas, consolidando-as.
Como o Divino Amigo havia retirado Lázaro do sepulcro, ninguém mais se resignaria à separação pela morte.
Quem tivesse pessoas de suas relações, amigos, servos dedicados envolvidos em doenças de difícil tratamento, recorreriam a Ele para que as libertasse de tais problemáticas, pela Sua ação imediata.
Por terem sido devolvidos a vista a alguns cegos e o movimento a membros paralisados de longa data, os atingidos por dificuldades dessa ordem iriam exigir a libertação de suas limitações.
O resultado lógico seria a perturbação geral no mecanismo evolutivo.
O Mestre precisou se ausentar para que o esforço de cada um se fizesse visível no plano divino da obra mundial.
De outro modo, seria perpetuar a indolência de uns e o egoísmo de outros.
Os apóstolos permaneceriam como alunos, confortavelmente situados ao lado de seu Mestre.
Não se lançariam nos rudes testemunhos que os burilaram e amadureceram.
A todo momento, poderiam contar com o esclarecimento direto do Cristo.
Consequentemente, não decidiriam por si mesmos quanto aos seus destinos.
Poderiam até se comportar bem, mas não alcançariam maiores méritos.
* * *
Sob diferentes aspectos, a grande hora da família evangélica repete-se nos agrupamentos humanos.
Inúmeras vezes surgem a viuvez, a orfandade, o sofrimento da distância, a perplexidade e a dor, por elevada conveniência do bem comum.
É da nossa natureza humana rejeitar o sofrimento.
Sempre desejamos o caminho mais fácil e a proximidade dos amores mais caros.
Ocorre que a vida terrena ainda por um tempo será destinada à vivência de provas e expiações.
Renascemos neste planeta por sermos Espíritos necessitados de experienciar eventos dolorosos e de testemunhar nossa firmeza no bem.
Essa é a finalidade do globo terrestre.
Ele serve de palco a lutas redentoras e a abençoados esforços para um viver digno.
Nesse contexto, há luto, separações e lágrimas.
Mas não são castigos, tragédias ou desgraças.
Representam, antes, um programa anteriormente traçado para a dignificação daqueles de nós que os devemos vivenciar.
No momento exato, é preciso cumprir a programação sem dramas em excesso.
Em momentos de grande dor, convém recordarmos a passagem evangélica em que Jesus anunciou Sua partida.
As dores no mundo nos alcançam e nos compete a superação. Guardemos a certeza de que o Divino Amigo sempre nos alcança com Suas bênçãos, fortalecendo-nos a fim de que saiamos vitoriosos de todos os embates.
Redação do Momento Espírita, com base no
cap. 125 do livro Pão nosso, pelo Espírito Emmanuel,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 6.5.2026
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