Jesus veio à Terra em um período de grande impiedade e desesperança.
O domínio dos poderosos era cruel e implacável.
O Divino Pastor chegou como uma brisa de suave fragrância. De repente, havia esperança de um amanhã menos árduo, menos sofrido.
Deus era anunciado como Pai amoroso e sábio. Um Criador que tinha cuidados com a erva do campo, de pouca durabilidade, e especialmente para com o ser mais precioso da Criação.
Era possível aguardar um futuro de mais leveza, de mais oásis de palmeiras aconchegantes e água cristalina.
Mesmo o presente se apresentava promissor, com a perspectiva de notáveis curas e transformações.
A canção da paz e da ventura soava arrebatadora naqueles lábios puros.
O povo ficou ébrio de esperança.
Todos se viam saciados, socorridos, alimentados e felizes.
Uma voz soava anunciando benesses em meio às agruras de pesadas cargas.
Entretanto, não se davam conta da contribuição pessoal que deveriam oferecer em favor da nova ordem social.
O Doce Rabi sinalizou que as bem-aventuranças tinham um preço.
Perante a incompreensão geral, disse não ter vindo trazer paz à Terra, mas a espada.
A espada simboliza a palavra da verdade e o discernimento.
Assim como a espada corta e separa, a mensagem de Jesus vinha para separar o essencial do supérfluo, a verdade da ilusão e o Espírito da matéria.
Isso tudo gera um conflito interno. A paz que o mundo conhece é, muitas vezes, uma falsa harmonia baseada na acomodação de vícios e erros.
Jesus trazia a espada para despertar a consciência.
Um processo que gera uma guerra íntima. O indivíduo começa a lutar contra suas próprias imperfeições, paixões e o egoísmo.
Não há progresso espiritual sem esse choque inicial que destrói a falsa paz do comodismo.
O Mestre falava sobre divisões na família: filho contra pai, mãe contra filho. Isso representa a libertação dos laços afetivos possessivos.
Por vezes, seguir a própria consciência gera atrito com aqueles que desejam que permaneçamos presos a velhos padrões.
Jesus trazia uma doutrina que era agente de transformação radical.
Ela não vinha para deixar as coisas como se encontravam, mas para cortar as ligações com o erro e nos forçar ao combate necessário pela nossa própria luz.
Enquanto acenava com o reino dos céus, estabelecia igualmente que ele deveria ser conquistado palmo a palmo por cada um, com esforço e perseverança.
Ontem e ainda hoje as multidões se sentem arrebatadas pelos Seus discursos. Como vagas suaves do mar tangidas por ventos brandos, arrebentando-se nas praias do Seu amorável sentimento de amor, se achegam.
Almejam paz, conforto. Apresentam-se exaustas de tantos dissabores, de dores e desconsolo.
Essa a razão pela qual Jesus permanece tão atual. Enquanto se multiplicam na Terra os que se apresentam como orientadores desse ou daquele comportamento, Ele repete o mesmo convite:
Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei.
Quando nos decidiremos a atender ao suave chamado?
Redação do Momento Espírita, com base no cap. 17, do livro
A mensagem do Amor Imortal, pelo Espírito Amélia Rodrigues,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 30.4.2026
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