Momento Espírita
Curitiba, 17 de Junho de 2024
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ícone A carência do nosso irmão

Quando os dias que antecedem o Natal enchem as lojas, quando as filas para pagamento e recepção do produto adquirido se tornam sempre mais longas, imaginamos que o mundo inteiro age assim.

Pensamos que todas as pessoas da cidade vão aos shoppings. Por isso estão superlotados. Difícil encontrar vaga no estacionamento.

Os que nos habituamos a tudo adquirir pela Internet, gastamos horas em pesquisas, buscando o produto exato que desejamos e o preço mais acessível.

Também cogitamos que todo mundo aja de igual forma.

Ou seja, vemos o mundo pelas perspectivas da nossa forma de agir.

No entanto, essencial que nossos olhos alonguem a visão, aprofundem o olhar.

Verificaremos, então, que não longe de nós, as coisas são um tanto diferentes. Será que nos indagamos como será o Natal na casa da servidora de nosso lar?

Sabemos quantos filhos ela tem, se haverá uma ceia especial na noite santa, se haverá alguma comemoração?

Verdade que o mais importante no Natal não devem ser os presentes. Contudo, se o marketing insistente convida a se presentear as crianças, como se sentirão aquelas para as quais nada chegará?

Nem o brinquedo visto e revisto pela televisão, nos outdoors da cidade, nos anúncios pelo rádio. Nem um calçado novo, uma roupa nova. Nada.

De um modo geral, pensamos que todos em todos os lugares ganham alguma coisa porque afinal, existem tantas campanhas nos Centros Municipais de Educação Infantil, em instituições beneficentes, lares temporários etc.

Será mesmo que todos são alcançados?

Notícias postadas em redes sociais ou televisionadas nos afirmam que nem todos o são. Como aquele menino, que vivia com a avó, em minúscula casa.

Ela, em tratamento quimioterápico, gastava seu reduzido salário com medicamentos e pouco sobrava.

O garoto frequentava a escola e, entre lágrimas, contou à reportagem que, ao retornar ao lar, por vezes não tinha o que comer.

O que ele desejaria para o Natal? Um video-game? Um celular? Um tênis de marca?

Não, o que desejava era um sanduíche de pão, queijo e presunto.

Seu pedido comoveu corações e ele recebeu muitas doações.

Dois anos depois do seu pedido, na reprise do Natal, Bruno não mora mais com a avó, que morreu.

Reside com a tia e agradece quem tornou a postar o vídeo com seu pedido, porque novas doações chegaram na casa da tia, com quem reside agora.

Estudante aplicado, tímido, ele disse que espera fazer pelos outros o que fazem por ele.

Eu me sinto abraçado por Deus. A fé é tudo. Quando eu crescer, vou ajudar, assim como eu fui ajudado. Tenho certeza disso.

  *   *   *

Tenhamos olhos de ver as necessidades que se fazem ao nosso redor. Tenhamos ouvidos de ouvir as lamentações de quem precisa saciar a fome de pão.

Também de carinho, de cuidados.

Pensemos nisso: alguém espera pela nossa carícia, pela nossa doação, pela nossa atenção.

E não somente no natal de Jesus. Mas, hoje, neste dia, nesta hora.

Não deixemos para amanhã ou mais tarde para atender os gritos da necessidade. Ação muito pensada quase sempre chega atrasada.

 Redação do Momento Espírita, com base em fato
da vida de Bruno Cintra, de Franca, SP.
Em 10.3.2020.

 

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