Momento Espírita
Curitiba, 24 de Abril de 2024
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ícone Nossas avós

Quantos de nós tivemos a felicidade de contar com uma oficina, na casa da vovó, registrando lembranças de amor que carregamos pela vida afora.

Uma oficina onde levávamos nossas bonecas para serem consertadas, suas roupinhas para serem reformadas.

Mesmo aqueles brinquedinhos de plástico, quando desencaixavam as peças; os bichinhos de pelúcia, quando abriam na costura ou descolavam os olhos.

A oficina da vovó não se detinha em apenas restaurar brinquedos avariados, ou ganharmos roupas novas para nossas bonecas.

Se caísse um botão da camisa ou esgarçasse a costura da calça, meninos e meninas conhecíamos o caminho de quem poderia nos tirar do apuro.

Uma festinha típica na escola e logo surgia um modelito único para nossa alegria.

Se crescíamos muito, mas continuávamos magrelinhos, as calças se transformavam em bermudas e as saias ganhavam babados impensáveis.

Um ajuste aqui, outro ali e as peças pouco usadas pelos maiores se transformavam em atrativos para os menores.

Como não reconhecer esse carinho, tempo e atenção sem limites, quando se trata de fazer os netos felizes.

Além disso, quantas de nossas avós se transformavam em enfermeiras, quando a mamãe estava longe.

Elas devem ter escondida em si uma porção de médica também...

Quantas vezes nos colocavam no colo, mesmo já crescidos. Quantas vezes acabaram com nossa dor terrível, passando a mão em nossas cabeças, e nos servindo um copo de água com açúcar.

Dava vontade de ficar muito tempo com elas.

As avós não deveriam se ausentar de nossas vidas.

Adultos, como nos faz bem tê-las por perto.

Mesmo que não consigam ou não precisem mais costurar, consertar, reformar alguma coisa.

Tê-las por perto para ouvir seus conselhos, suas histórias de vida, suas experiências.

Tantas coisas que nos enriquecem.

Imaginemos o quadro, pelos olhos das avós. Dizem que elas são mães com açúcar. Vivem outro tempo e, muitas vezes, se tornam as babás dos netos, enquanto os pais se entregam aos seus afazeres profissionais.

Elas tiveram seus próprios filhos e os viram crescer. Os netos chegam, quando elas mesmas têm outra forma de encarar a vida e seus percalços.

Seus corações apreciam ofertar o tanto de amor que trazem em si aos filhos dos seus filhos.

Um amor que aumenta dia após dia, e que chega a sufocar de tanta felicidade e alegria.

Aconchegar um neto em criança, agradando-o dentro dos padrões educacionais, vivenciando o amor com limites, o respeito e o carinho maiores, não tem preço.

Por tudo isso, os que ainda temos conosco nossas avós, as recompensemos com nossa gratidão.

Se não foram aquelas que nos aconchegaram mais intimamente e tiveram grande papel em nossas vidas, lembremos de que, graças a elas, temos nossos pais.

Consequentemente, nascemos.

E, se nossas avós já estiverem mergulhadas nas brumas do esquecimento do mais recente, com a mente fixada no ontem distante, não as deixemos ao abandono.

Olhemos as mãos enrugadas, o rosto, onde o tempo esculpiu, cuidadosamente, linhas marcantes e as abracemos.

Por gratidão, por amor.

Redação do Momento Espírita
Em 9.4.2022.

 

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