Momento Espírita
Curitiba, 17 de Junho de 2024
busca   
no título  |  no texto   
ícone Fundadores de reinos

Existiu na Mesopotâmia, um reino. Localizado em rota estratégica, era um importante e próspero lugar, centro de comércio e comunicações.

Chamava-se Mari e era diferente de todos os demais reinos da Antiguidade.

Seu rei não usava espada. Ao contrário, ele estendia a mão em sinal de bênção e paz.

Um estranho mundo, com certeza, onde predominava o amor e a bondade, em meio aos ferozes domínios que o cercavam.

Mais impressionante do que esse reino, que foi destruído em 1742 a.C., um outro foi fundado, mais justo e mais fascinante.

Seu fundador foi um jovem carpinteiro. Ele o proclamou num sábado, numa cidade quase insignificante, chamada Nazaré.

Naquele dia, judeus ansiosos pela salvação de Israel ocupavam a sinagoga. O Carpinteiro passou entre eles e se sentou.

Sua túnica brilhava, causando assombro entre os presentes. Como podia brilhar tanto?

Quando lhe permitiram falar, levantou-se, tomou nas mãos o rolo da Torá e o abriu, nos escritos de Isaías.

Com voz serena, leu:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres.

Enviou-me para proclamar a libertação dos cativos e a restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos e apregoar o ano aceitável ao senhor.

Concluindo a leitura, fechou o livro, e tornou a se sentar. Ele estendeu o olhar por todos os presentes, e afirmou:

Hoje se cumprem estas palavras do profeta.

De início, houve um grande silêncio. Depois, se manifestaram alguns gestos de impaciência.

Os protestos se fizeram mais fortes, abafando a voz calma, que falava de um reino de amor e de justiça.

A multidão avançou para Ele, O agarrou e arrastou para fora. Levaram-nO para o alto de um monte, desejando precipitá-lO dali para baixo, entre rochas pontiagudas e muitas pedras.

Ele, no entanto, desembaraçou-se, tranquilamente, daqueles punhos de ferro e desceu a encosta, rumo à cidade.

E foi para outras bandas pregar o Seu reino.

*   *   *

Um reino. Quem pode fundar um reino?

Em verdade, qualquer um de nós pode fundar um reino porque cada homem tem o poder de criar o que quiser.

O reino terá as características que desejarmos. Pode ser um reino de guerra ou de paz, de amor ou de ódio, como o fizermos.

Por isso, ainda hoje, na Terra, se multiplicam os reinos da mentira, da violência, da maldade, da subjugação do outro.

Podemos fundar o reino da descrença, um reino árido, estreito e seco. Um reino sem luz, que não consegue estabelecer fronteiras muito além de si mesmo.

Ou o reino da injustiça, da ganância, um reino de intrigas e abusos de toda ordem.

No entanto, podemos aderir ao reino proclamado há dois mil anos e fundar, onde nos encontrarmos, o nosso reino.

Um reino de paciência, que suporta as tolices dos demais e apenas esclarece, desejando fazer luz.

Um reino de amor, que ampara o próximo, que admira a natureza e a protege, que zela pelo bem-estar do outro.

Um reino de concórdia, de entendimento, o reino de Deus.

O local, todos o temos, enorme, inigualável, o nosso coração.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1,
do livro
O reino, de J. Herculano Pires, ed. Edicel,
 com transcrição do Evangelho de Lucas, cap. 4,
 vers. 18 e 19.
Em 24.11.2022.

 

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2024 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998