Momento Espírita
Curitiba, 30 de Maio de 2024
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ícone Quando os amores se vão

A morte de nossos entes amados, especialmente aqueles ligados a nós pelos laços familiares ou de profunda amizade, é uma das experiências mais difíceis que podemos vivenciar em nossa caminhada terrena.

Quando, como consequência, ela também nos carrega o suporte emocional ou financeiro, ainda mais dolorido é esse transe, pois adiciona outros fatores de angústia à dor da ausência daquele que partiu.

Nesse momento, não raras vezes, nos revoltamos contra Deus, chegando a questionar a Sua justiça.

Por que fez isso comigo?

Por que levou meu filho tão jovem, se tinha toda uma vida pela frente?

Onde está a tão falada justiça de Deus, que retirou a fonte provedora do lar?

E agora, o que será das crianças que ficaram órfãs?

Por que Deus leva os bons e deixa os maus?

Esquecemos que, sendo Deus soberanamente justo e bom, as ocorrências em nossas vidas obedecem a uma Lei, chamada de causa e efeito. Nada de injustiças ou descuidos da Divindade.

Aquilo que, no presente, nos parece um mal tem razões objetivas, que desconhecemos. De qualquer modo, sempre são oportunidades de crescimento e aprendizado para nós.

Com a visão ainda estreita, acanhada, da vida espiritual, quase nunca nos ocorre pensar sob a ótica do ser amado que partiu.

Estava feliz?

Sofria?

Porventura já não tinha cumprido a sua missão por aqui?

Com essas interrogações, não queremos dizer que devamos ser indiferentes à partida desses que são nossos afetos mais queridos.

Desejamos somente convidar à serenidade. Serenidade para aceitar que chegou o momento da partida, conforme planejamento divino.

E, dessa forma, nos cabe vivenciar o luto, nos permitirmos chorar, mas sem desespero, nem revolta, nem desânimo.

Aqueles que partem, concluíram sua missão. Mudam sua forma, continuando a viver, como Espíritos imortais que todos somos.

A inevitável saudade, que fica, a devemos cultuar no altar da alegria, agradecendo as horas, meses ou anos que pudemos desfrutar de sua companhia.

Recordar com carinho os momentos felizes, gratos ao Criador por tudo que construímos juntos.

Mantendo a serenidade, poderemos registrar todas as vezes que esses amados nos visitam, igualmente saudosos, porque a saudade bate lá tanto quanto bate cá.

Poderemos lhes sentir o abraço, identificar as confidências da sua ternura, insuflando-nos bom ânimo e dizendo: Um dia, tornaremos a estar juntos. Trabalhe e espere.

*   *   *

A morte não é o fim, mas o início de uma nova etapa. É o regresso à verdadeira vida, da qual este mundo é apenas cópia imperfeita.

Reencontraremos nossos amores mais cedo ou mais tarde, pois, em verdade, começamos a morrer no instante em que renascemos.

Muitas vezes, nos haveremos de encontrar com nossos amores, durante o sono, quando aliviaremos um pouco a saudade e ganharemos forças para continuar a nossa jornada terrestre.

A lembrança dos momentos felizes compartilhados enche de alegria os corações nos dois planos da vida, sendo um poderoso instrumento de sintonia com aqueles que fizeram a jornada de regresso antes de nós.

Redação do Momento Espírita.
Em 29.8.2023

 

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