Momento Espírita
Curitiba, 23 de Julho de 2024
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ícone Preciosas lições de Francisco

Conta um dos biógrafos de Francisco de Assis que, certa feita, um dos frades teve uma visão.

Foi frei Leão que viu, em espírito, um rio largo e caudaloso. Ao observar quem o atravessava, notou que vários frades da sua ordem eram arrastados pela força da correnteza e se afogavam.

Alguns chegavam até a metade da travessia, outros até perto da margem, mas todos eram arrastados pela correnteza porque carregavam fardos nas costas.

Frei Leão sentiu uma profunda compaixão pelos irmãos e continuou observando a cena.

Viu, então, um grupo de frades que não carregava fardo algum. Eles entraram no rio e conseguiram atravessá-lo sem maiores problemas.

Não entendendo o que aquilo significava, procurou Pai Francisco, que esclareceu:

O que você viu é verdadeiro. O grande rio é o mundo. Os frades que nele se afogaram são aqueles que não foram fiéis ao voto de pobreza.

Aqueles que o atravessaram sem esforço são os irmãos que não buscam nem possuem bem algum neste mundo. Por isso, conseguem passar tão facilmente para a eternidade.

*

Lição magnífica do Poverello, como era conhecido Francisco, o pobrezinho de Assis. Lição para cada um de nós.

Os bens materiais devem nos servir, jamais sermos deles escravos.

Nem nos prendermos de tal maneira aos nossos bens, que venhamos a ter dificuldade de os deixar, quando tenhamos que partir para a outra vida.

A posse do necessário se faz para a nossa sobrevivência. E de algo mais, inclusive, que nos dê conforto e momentos de felicidade.

Alguns colecionamos livros, que nos enriqueçam o intelecto. Outros apreciamos artigos de arte, de beleza. Enfim, cada um tem o direito de usufruir um tanto mais, neste mundo de materialidade.

Contudo, Francisco nos dá o exemplo. Ele se casou com a pobreza, quando, incompreendido pelo pai, Pietro Bernardone, rico comerciante de tecidos, foi levado a um tribunal religioso.

Abandonou tudo o que o vinculava ao sobrenome do pai e se transformou no Francisco de todos nós.

Inovou, em seu tempo, instituindo o hábito da pregação itinerante, quando os religiosos costumavam fixar-se em mosteiros.

Numa época em que o mundo era considerado essencialmente mau, ele afirmou que em tudo se deveria ver a bondade e a maravilha da Criação.

Pobre entre os pobres, amou e serviu a todos, chamando-os irmãos.

Também conhecido como o Cristo da Idade Média, Dante Alighieri o denominou como a luz que brilhou sobre o mundo.

Se valorizamos em demasia os bens da Terra, cabe-nos lembrar que estamos no corpo físico como Espíritos imortais.

A matéria é um empréstimo temporário, desde que todos, logo ou pouco depois, retornaremos à pátria espiritual.

O excessivo apego aos bens materiais atrapalhará o prosseguimento da vida na esfera espiritual.

Aprendamos, com Francisco, a importância do desapego. Servir-se, utilizar, sem nos agarrarmos à sua posse.

Somos passageiros na nave terrena. E toda viagem chega, um dia, ao seu porto final.

Importante que tenhamos o passaporte carimbado com construtivas ações para passarmos pela alfândega da Espiritualidade sem maiores percalços.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo
Francisco de Assis e Hermann Hesse, de Marcelo Anátocles Ferreira,
 publicado no
Jornal Mundo Espírita, de outubro 2023, nº 1671, ed. FEP.
Em 17.11.2023.

 

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