Momento Espírita
Curitiba, 30 de Maio de 2024
busca   
no título  |  no texto   
ícone Onde realmente está o sofrimento

Numa das belas falas do sermão do monte, o Mestre reportou-se aos aflitos, aos que choram, aos famintos, aos que buscam justiça, aos que sofrem perseguições.

A partir das exortações de Jesus, dissertações consoladoras aconteceram, no transcorrer dos tempos, falando-nos da justiça das aflições, das suas causas anteriores e das causas atuais.

Em mensagem atribuída ao Espírito Fénelon, que viveu no século XVII, lemos a respeito dos tormentos voluntários, uma espécie de sofrimento muito curiosa, que provém dos nossos vícios morais, isto é, sofrimentos que causamos a nós mesmos voluntariamente.

Diz-nos assim: O homem, como que de propósito, cria para si tormentos que está nas suas mãos evitar!

De imediato, pensamos que jamais criaríamos sofrimentos para nós mesmos. Afinal, todos desejamos o melhor.

No entanto, prosseguindo em sua redação, Fénelon nos dá um simples exemplo:

Haverá maiores sofrimentos do que os que derivam da inveja e do ciúme? Para o invejoso e o ciumento, não há repouso. Estão sempre febris, preocupados, ansiosos...

O que não têm e os outros possuem lhes causa insônias.

Vejamos como realmente nos incomodamos com muitas coisas que não deveriam nos perturbar.

Intervimos demais na vida alheia sem necessidade. Tiramos conclusões precipitadas, construímos em nós roteiros de cinema baseados em algo que achamos que ouvimos ou numa mera especulação.

Esses são sofrimentos voluntários. Sofrimentos que criamos para nós sem necessidade.

Geramos inúmeras aflições para nossa vida diariamente. Apenas porque somos invejosos, somos inseguros, maledicentes ou ciumentos.

São bem diferentes das grandes provações da vida, das experiências educativas, ou mesmo das expiações, que nos ensinam ao mesmo tempo em que nos permitem ficarmos quites com as leis maiores.

Observando as características da sociedade atual, percebamos quantos sofrimentos voluntários, quanta dor trazemos para nossas vidas sem precisar.

Será que não nos bastam os desafios da encarnação? As lutas de um mundo com tantas dificuldades?

Será que alguns de nós temos prazer em sofrer?

Isso demonstra certo desequilíbrio e necessidade urgente de buscarmos auxílio terapêutico.

Pensemos a respeito.

*

O que mais sofremos no mundo...

Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.

Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.

Não é a doença. É o pavor de recebê-la.

Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.

Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.

Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.

Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.

Não é a injúria. É o orgulho ferido.

Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflições que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. V, item 23, de
 
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, ed. FEB
e no cap. 18 do livro
Passos da Vida, pelo Espírito Albino Teixeira,
 psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Comunhão Espírita Cristã.
Em 9.5.2024

 

Escute o áudio deste texto

© Copyright - Momento Espírita - 2024 - Todos os direitos reservados - No ar desde 28/03/1998