Hoje, o convite é para que olhemos para nossos pés. Esses que nos sustentam dia após dia, que nos levam para o trabalho, para a escola, para os compromissos, para os reencontros da vida.
Pés que caminham, às vezes firmes, às vezes cansados. Pés que tropeçam, que correm, que se detêm. Mas seguem.
Quantas histórias poderiam contar nossos pés. Quantos passos dados na esperança. Quantos foram palmilhados na dor. Quantos caminhos escolhidos com coragem. Quantas idas e vindas marcadas por silêncios, por esperas e por recomeços.
Agora, lembremos dos pés do Homem mais Ilustre que este mundo conheceu: o Nazareno. Jesus.
Pés que percorreram as estradas empoeiradas da Galileia, da Judeia e da Samaria. Pés que entraram em casas humildes, que subiram montes, que passaram por desertos e atravessaram multidões.
Pés simples, que calçaram sandálias rústicas, tocando com humildade o chão do mundo, as areias da praia, o barco de um pescador. E que caminharam sobre as águas ao encontro dos Seus companheiros.
Pés que se ajoelharam para lavar os pés de outros. Num gesto de humildade e amor, Jesus inclinou-se diante dos discípulos e lhes lavou os pés, ensinando, com o exemplo, que a verdadeira grandeza está no serviço.
Lavar os pés é mais do que limpar a poeira do caminho. É enxergar o outro com respeito. É acolher o esforço alheio.
É dizer: Eu caminho contigo. É partilhar o peso da jornada. É reconhecer que o outro, mesmo em suas quedas e imperfeições, merece cuidado, atenção e afeto.
É estender a mão sem esperar aplausos, é servir sem ostentação. Lavar os pés é um gesto silencioso que ensina humildade e empatia, que recorda que todos nós, em algum momento, precisamos ser acolhidos.
Jesus não apenas falava de amor. Ele andava com amor.
E, com os mesmos pés com que serviu aos Seus irmãos, em tantas oportunidades, Ele subiu ao Calvário. Passo a passo.
Com a cruz nos ombros, com a fé nos olhos e no coração. Com dor no corpo, com amor no Espírito. Seus pés, feridos, não pararam.
Hoje, mais de dois mil anos depois, ainda nos convidam a caminhar. A continuar. A seguir por trilhas de luz, apesar das pedras. A abandonar o orgulho, a pressa, a indiferença. Andar ao lado do próximo.
Por isso, ao olhar para nossos pés, indaguemo-nos: Para onde temos permitido que eles nos conduzam? Eles têm nos guiado rumo à paz? À solidariedade? Ao perdão?
Será que nossos passos têm buscado o caminho do bem, mesmo quando ele exige renúncia e paciência? Será que têm se desviado das trilhas do egoísmo, da indiferença, do julgamento precipitado?
Os pés que hoje pisam o chão do mundo são os que podem plantar a esperança, semear a concórdia, firmar a compaixão em solo fértil. Ou na aridez dos corações.
Cada passo é uma escolha. Cada direção, um reflexo do que abrigamos em nosso coração.
Não é preciso caminhar grandes distâncias. Basta trilhar os pequenos caminhos do amor no cotidiano. Afinal, a grande questão é a forma como escolhemos caminhar, é o rumo para o qual nos conduzem nossos pés.
Redação do Momento Espírita.
Em 24.6.2025.
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