Agradeço, Senhor,
Quando me dizes "não"
Às súplicas indébitas que faço,
Através da oração.
Muitas daquelas dádivas que peço
Estima, concessão, posse, prazer,
Em meu caso talvez fossem espinhos,
Na senda que me deste a percorrer.
Esses versos nos mostram um aspecto bastante curioso de nossas petições em prece.
Poderíamos, inclusive, ampliar a ideia, e pensar a respeito de nossos sonhos, desejos como um todo.
Dentro da lucidez dos versos, a poetisa agradece por ter recebido tantos nãos. Isso mesmo. Por não ter sido atendida.
Já pensamos, alguma vez, o quão imaturos, precipitados e até descabidos são nossos pedidos ao bom Deus?
Alguns como consequência natural do impulso, do calor do momento. Outros pelo fato de ainda não termos entendido o que é realmente melhor para nossa existência.
É como aquele filho, ainda adolescente, que pede ao pai que lhe compre um belo carro novo, igual ao do seu ídolo, o do jogador de futebol.
Com certeza, qualquer pai consciente saberá explicar, saberá dar seu não de forma mais amorosa e instrutiva possível.
O menino ainda não tem carteira de habilitação. Está claramente iludido pela ideia de que, se tiver algo igual ao seu ídolo, se parecerá um pouco com ele. Por fim, não tem a mínima ideia do valor das coisas.
Essa é uma grave questão para os educadores trabalharem com seus jovens. Questão difícil, sabemos, num mundo que tem valorizado tanto o ter em detrimento do ser.
No entanto, na esfera divina, isso é muito bem resolvido. O Pai Maior sabe dizer não, quando a negativa é a melhor opção aos Seus filhos.
O Pai sábio e amoroso não atende nossos caprichos, como se fosse o gênio da lâmpada maravilhosa de Aladim.
Haverá situações mais delicadas, no entanto, em que pedimos algo que acreditamos, sinceramente, é o melhor para nós.
E, entretanto, também não recebemos. Não acontece, não dá certo.
Nessas situações, deve entrar em ação nossa humildade. A humildade de reconhecermos que não temos uma visão ampla dos planos maiores da nossa encarnação.
Por que será que não deu certo?
Às vezes, decorrido algum tempo, vamos nos dar conta de que aquele caminho nos levaria a determinados problemas maiores. Ou, talvez, logo adiante nos causaria grande frustração.
Os mais humildes, logo em seguida, agradecemos: Obrigado, Pai, por ter enxergado o que não pudemos ver! Obrigado pelo cuidado que teve conosco.
Verdadeiramente, somos protegidos de algumas situações que nos trariam mais aflições do que alegrias. Isso se revela, inclusive, no campo das relações interpessoais.
Aquela pessoa, aquele que estava destinado para me fazer feliz pelo resto da vida, o único... acabou não dando certo. Por que será?
Aquele emprego, aquele caminho, aquela viagem, aquela casa...
Basta prestar atenção no que veio depois e saberemos muito bem a razão de cada não divino.
Dessa maneira, sejamos compreensivos com as respostas de Deus. Os nãos de Deus são tão valiosos quanto os sins, estejamos atentos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap.
Agradeço, Senhor, do livro Antologia da Espiritualidade,
pelo Espírito Maria Dolores, psicografia de Francisco
Cândido Xavier, ed. FEB.
Em 4.3.2026
Escute o áudio deste texto