A renomada professora e pesquisadora norte-americana, Brené Brown, apresenta pesquisa curiosa e reveladora, em sua obra A coragem de ser imperfeito.
Informa que um grupo de pesquisadores realizou uma análise em três décadas de canções que chegaram ao topo das paradas de sucesso.
Eles registraram uma tendência estatística significativa para o narcisismo e a hostilidade na música popular.
Encontraram uma diminuição expressiva no uso de nós e nosso, e um aumento de eu e meu.
Não para por aí. Eles relataram um declínio das palavras relacionadas à solidariedade e a emoções positivas. E um aumento das palavras relacionadas à ira e ao comportamento antissocial, como ódio e matar.
Dois pesquisadores da equipe, que publicaram o livro A epidemia do narcisismo, argumentaram que a incidência do transtorno de personalidade narcisista mais que dobrou nos Estados Unidos nos últimos dez anos.
São sintomas de uma sociedade adoecida, certamente. No entanto, não podemos apenas identificar problemas, precisamos ir em busca de soluções.
O amor a si mesmo, proposto por Jesus, é o caminho autêntico e seguro para isso.
Provavelmente, na sua fase inicial, se expressa como autovalorização descabida, por ignorância real das possibilidades que lhe são inatas.
Quando não estamos hábeis ao amor-próprio no seu sentido mais profundo, permitimo-nos tornar soberbos, enrijecendo o sentimento de ternura e de respeito por nosso próximo.
O amor-próprio saudável é fundamental nos relacionamentos humanos, em particular nas parcerias afetivas, no matrimônio ou não.
À medida que o ser humano se conscientiza dos objetivos existenciais, dos desafios que o aguardam, de como deverá enfrentar insucessos e problemas, maior se lhe apresenta o amor-próprio.
Ele o induz a não cometer os mesmos desvarios de antes, ao culto do personalismo perturbador, ao narcisismo desenfreado, nem tampouco à subestima, à desconsideração pelos seus potenciais de realização.
Enfim, a tudo quanto é próprio como resultado das conquistas conseguidas.
Dá-se conta, então, do muito que lhe falta conquistar. Porém, se percebe feliz pelo que já alcançou.
O amor-próprio abre um elenco abençoado de possibilidades de serviço para o progresso interior, equilibrando a emoção em referência às aspirações, a mente em relação ao comportamento, a vida diante da imortalidade.
Induzido ao autoaprimoramento, o Espírito torna-se tolerante para com as falhas do seu próximo, embora não concordando com essas atitudes infelizes.
Não se transforma em julgador de ninguém, porque conhece as dificuldades que ele mesmo enfrenta, nesse embate de autocrescimento que não cessa.
A sua visão de mundo é mais abrangente, mais rica de compaixão, mais enternecedora.
O amor-próprio dá a exata dimensão do que somos, de como nos encontramos e do quanto necessitamos realizar a fim de alcançar o objetivo da harmonia.
Por isso, trabalhemos por menos narcisismo e mais amor-próprio.
Redação do Momento Espírita com base no cap. 1, do livro
A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown, ed. Sextante,
e no cap. 20, do livro Garimpo de amor, pelo Espírito Joanna
de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 6.3.2026