Momento Espírita
Curitiba, 14 de Maio de 2026
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Ele era baixo, pesado, de cabelos loiros e testa curta. Estava sujo e malvestido. Além de tudo, tinha um ar de bobo.

Bateu à porta do mosteiro. De imediato, foi rechaçada a ideia de acolher um bárbaro como aquele entre os muros sagrados, para conviver com homens cultos, alguns deles nascidos nas melhores famílias do império romano.

Ninguém o desejava ali. Nem de longe se recordaram que o que os unia era a mensagem cristã, que recomendava o amor ao próximo. Ninguém se recordou, sequer, da célebre parábola do bom samaritano.

Daquele que teve compaixão para com o caído na estrada, desconhecendo-lhe a origem, a nacionalidade, o motivo pelo qual sofrera tamanha agressão.

Ninguém, a não ser Bento, o abade-chefe de todos os monges. Ele não pensava como os demais, que estavam dispostos a deletar de suas vidas um homem grosseiro e pobre de espírito.

Apesar de jovem, o abade era sábio e viu uma grande oportunidade para todos irem além de si mesmos e exercitarem a tolerância.

Bento lembrou aos seus comandados que fazia parte da tradição daquela ordem religiosa acolher a qualquer um que batesse à sua porta.

Bento acolheu aquela criatura. Ofereceu-lhe alimento, cama limpa. E um trabalho.

Era uma tarefa muito difícil: ceifar os espinheiros perto de um lago, preparando o terreno para futuro plantio.

E o homem se dedicou a trabalhar com plantas repletas de espinhos, da manhã ao cair da tarde, decidido a tornar aquele local um campo limpo.

No entanto, aconteceu que, um dia, ele perdeu a lâmina da sua ferramenta. Ela voou longe e caiu no meio do lago.

O abrigado se desesperou. Era a Idade Média e os instrumentos agrícolas eram considerados preciosos. Imaginou que os monges o mandariam embora por causa da sua perda.

Quando soube do acidente, Bento foi ao campo. Encontrou o homem com o rosto lívido, o cabo da foice, sem lâmina, nas mãos.

Não teve dúvidas. Entrou no lago e foi recuperar a lâmina. Era seu dever ser tolerante e acolhedor. E devia dar o exemplo aos demais.

*

Tolerância para com o outro. Por vezes, nos parece bem difícil quando pensamos que os verbos abranger, incluir e acolher são os que melhor definem o que é a tolerância.

Cabe-nos pensar que todos nós, em algum momento, na família, no trabalho, na sociedade em geral, podemos nos sentir rejeitados como o bárbaro que procurou abrigo no mosteiro.

A Terra é o grande mosteiro. Convivemos com pessoas de múltiplas culturas, origens e modos de vida diferentes.

Estamos diante da diversidade humana todos os dias, o tempo todo.

E, da mesma forma que desejamos ser aceitos, acolhidos, o outro também deseja. Quando encontramos alguém que nos cause antipatia, tudo que ele fizer nos será intolerável.

Precisamos nos tornar mais maleáveis, precisamos nos libertar do Eu gosto ou Eu não gosto, e mudarmos nossa maneira de olhar o outro.

Tratá-lo como gostaríamos que nos tratassem. Não é essa a grande norma estabelecida pelo Mestre que dizemos seguir?

Tolerância. Aprendamos a aceitar mais, entender mais, acolher mais.

Redação do Momento Espírita, com base
 no artigo
Tolerância, de Liane Alves,
 da
Revista Vida Simples, nº 206, de
 abril 2019.
Em 22.5.2026

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